Os centros de investigação de Ciências e Políticas da Educação pediram à Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) para serem reavaliados, num documento onde acusam o júri de insensibilidade para as especificidades desta área científica.

Num abaixo-assinado enviado à FCT com conhecimento do ministro da Ciência e Tecnologia e do Ensino Superior, Mariano Gago, 12 dos 15 directores de unidades de investigação na área das ciências da educação consideram «que se justifica uma reapreciação global da avaliação de todos os centros, sem prejuízo de que cada um requeira um pedido de avaliação individual», disse à Lusa José Alberto Correia, do Centro de Investigação e Intervenção Educativas (Universidade do Porto).

Os subscritores do documento estranham «a tendência generalizada para o abaixamento das classificações atribuídas, tendo como referência a avaliação imediatamente anterior».

«Nesta avaliação deixaram de haver centros de excelência na área da ciência da educação e apenas dois têm Muito Bom», sublinhou o primeiro subscritor do documento enviado à FCT, destacando que na avaliação anterior «mais de dois terços das Unidades foram classificadas de Excelente ou Muito Bom».

«Após o processo [de avaliação], o que se verifica globalmente é que há um aumento de financiamento e dos resultados naquilo que são as ciências duras, ou exactas, com excepção da engenharia informática, e há uma clara diminuição em tudo o que é ciências sociais e humanas», disse José Alberto Correia, destacando que o financiamento público recebido por estas unidades de investigação está relacionado com os resultados da avaliação.

José Alberto Correia considera que «há critérios que servem para a matemática e para a física e que não servem para as ciências sociais» e sugeriu à FCT maior cuidado para com as ciências sociais, «que têm um papel importante para compreender a evolução da sociedade e introduzir mecanismos para que a gente não morra nesta crise».

«Se isto é um mandato político expressamente enviado ao júri de avaliação, não sei, agora a constituição do júri, os currículos e os membros não os torna muito sensíveis a algumas áreas que muitas vezes nem são traduzíveis para o inglês», disse.

Este responsável alerta que como só vai ser possível fazer cursos de doutoramento em instituições que tenham, pelo menos, a classificação de Muito Bom, esta avaliação vai fazer com que «quase todas estas instituições deixem de poder desenvolver doutoramentos em Ciências da Educação».

«O financiamento das universidades tem diminuído progressivamente e para a realização de mestrados e doutoramentos é imprescindível que existam centros de investigação que tenham condições mínimas para funcionar», destacou, considerando que esta avaliação «descredibiliza a contribuição de Portugal nesta área no quadro europeu, além de que há um conjunto de centros que envolvem metade dos investigadores na área que deixam de ser financiados e deixam de ter condições para continuar a fazer investigação».