Nos tempos áureos, a Universidade Moderna chegou a ter 10 mil alunos. Agora, tem apenas 750. E estes graças à popularidade do curso de Televisão e Cinema. Neste momento, só estão a funcionar nas instalações sete licenciaturas, duas em regime diurno (Televisão e Cinema e Arquitectura) e cinco em regime pós-laboral. O ponto de situação da instituição foi feito esta noite pela SIC.

Além de alunos, a universidade perdeu qualidade de ensino. Quem o afirma são os docentes que já deram aulas na instituição.

Uma das críticas mais apontadas é a ausência de livros de termo, obrigatórios pela lei. Isabel Menezes, que foi responsável pelo curso de Arquitectura, disse à SIC: «Nunca vi um livro de termo no tempo que lá passei».

Essa acusação é corroborada por Viana Cabral, ex-membro do Conselho Pedagógico na instituição: «Nos últimos anos que lá estive, nunca assinei um livro de termo», contou à estação de televisão.

«Se não temos esses livros assinados, de que forma é que sei que aprovei esta ou aquela aluna», disse o ex-docente da universidade Carlos Roda, que abandonou a Moderna.

Outra queixa feita por este professor é o facto de «os exames escritos decorrerem sem a presença de docentes na sala». Esta acusa acusação é secundada pelo aluno Rui Campanudo: «É uma situação recorrente».

A reitoria foi contactada pela SIC mas recusou prestar declarações, afirmando apenas, por escrito, que a universidade foi alvo de auditoria do Ministério do Ensino Superior e que a questão dos livros de termo foi uma a ser analisada.

Relembrar o «Caso Moderna»

Entre 1997 e 1999 foram gastos com cartões de crédito da Universidade Moderna mais de 173 mil contos (862.920 euros), 58 mil dos quais pela mão de José Braga Gonçalves. O caso Moderna, que «rebentou» em 1999, sentou no banco dos réus 13 arguidos acusados de associação criminosa, gestão danosa, apropriação ilícita, burla, falsificação de documentos e corrupção.

O principal arguido do caso Moderna, José Braga Gonçalves, condenado a 12 anos de prisão, que descontado o tempo de prisão preventiva, fazia com que tivesse de cumprir dez anos e seis meses de pena efectiva. Depois de apresentar recurso, o Tribunal da Relação de Lisboa reduziu a pena para sete anos e seis meses de prisão. Gonçalves saiu em liberdade condicional depois de ter cumprido mais de metade da pena de sete anos e meio a que foi condenado.

O ex-patrão da Moderna foi o único que teve de cumprir pena de prisão efectiva. Os restantes três arguidos que estiveram em prisão preventiva (João Braga Gonçalves, José Vitoriano e Esmeraldo Azevedo), foram condenados a dois anos, cinco meses e quinze dias de prisão.

A segunda pena mais pesada foi a do antigo assessor de imprensa do ex-ministro da Educação Marçal Grilo, Pedro Garcia Rosado, condenado a três anos de prisão efectiva.

O ex-reitor da Universidade Moderna e pai de José e João Braga Gonçalves, José Júlio Gonçalves, com 74 anos de idade, foi também condenado a três anos de prisão, mas com pena suspensa por três anos.

O ex-vice-reitor António Sousa Lara foi condenado a dois anos e meio de prisão, pena que ficou igualmente suspensa, por dois anos.

Os seis arguidos absolvidos foram: Carlos Sousa, Domingos Sousa, José Lampreia, Manuel Vaz, José Cagido e Carlos Fernandes.

O Tribunal considerou não provado o crime de associação criminosa imputado a oito dos arguidos, confirmando apenas a prática de falsificação de documentos, gestão danosa, apropriação ilegítima, e corrupção activa e passiva.
Portugal Diário