Poderia fazê-lo até às 14:00 de amanhã, quinta-feira, mas Armando Vara acabou pode decidir apresentar-se na prisão de Évora para ser preso já esta quarta-feira à tarde, pelas 16:45.

"Sinto uma certa indignação. Venho cumprir uma pena extramamente injusta", disse à chegada.

Armando Vara foi parco em palavras e pediu aos jornalistas várias vezes para o deixarem passar, continuando a dizer que é "inocente".

Foi tudo tão ténue, tão intencional... Espero que compreendam que não é o momento em que mais me apetece falar".

Depois de deixar o seu cliente na cadeia de Évora, o advogado Tiago Rodrigues Bastos disse que este "não é um dia feliz na carreira de um advogado" e que, "neste momento, o que interessa é que se cumpra o que tem de se cumprir, e que se dê início a um processo que é doloroso".

São tristes dias estes em que a entrada de um homem na prisão concita tanto mediatismo, tanta curiosidade e voyerismo. São tempos tristes que vivemos. Para mim enquanto advogado é um momento triste. Não considero que se tenha feito justiça. Já disse muitas vezes que a decisão é errada. Não vou voltar a falar sobre isso agora". 

Vai cumprir cinco anos de prisão. A juíza titular do processo determinou que o antigo ministro, condenado no âmbito do processo Face Oculta, deveria entregar-se voluntariamento, tendo-lhe dado, na segunda-feira, um prazo de três dias.

No processo Face Oculta, ficou provado que Armando Vara recebeu 25.000 euros para interceder junto do Governo em benefício de algumas empresas. 

Na prisão de Évora, onde também esteve o antigo primeiro-ministro José Sócrates (em prisão preventiva, no âmbito do Processo Marquês), Vara vai ter direito a televisão, ginásio, biblioteca e campo de futebol. 

A 11 de dezembro, o ex-governante foi entrevistado na TVI, já sabendo que a qualquer momento seria decretada a prisão. Nessa altura, assumiu não estar “preparado" para o que aí vinha e deixou no ar a pergunta:  "Como teria sido a minha vida nos últimos dez/nove anos se eu tenho aceitado ajudar o juiz Carlos Alexandre?".

Sem querer entrar em pormenores, porque garantiu “ainda não é o tempo” para isso e que na cadeia iria "ter tempo de escrever", Armando Vara garantiu que “lhe foi solicitada ajuda” e “não foi apenas a ele”. Chegou mesmo a ligar o processo dos Vistos Gold e da Operação Marquês a essa recusa.

Os documentos necessários para que a prisão se efetivasse chegaram ao tribunal de Aveiro na sexta-feira passada. Na segunda-feira, a juíza deu três dias ao ex-governante para se apresentar em Évora. 

Recorde-se que foi em 2008 que Sócrates primeiro-ministro mudou o estatuto desta prisão, reservando-a a magistrados, militares, membros de forças de segurança e políticos

Vanessa Cruz / Notícia atualizada às 17:12