O episódio deste fim-de-semana centra-se no movimento estudantil no combate à ditadura, nomeadamente o papel que a Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico (AEIST), em Lisboa. Era a que detinha maiores instalações, recursos e também capacidade de mobilização. A título de exemplo, o orçamento anual da AEIST era de cerca de 30 milhões de euros nos dias de hoje.

Numa altura em que não só o Estado Novo apertava o controlo sobre as universidades e as associações de estudantes, mas também havia um afastamento das associações de estudantes dos alunos que deveriam representar, o movimento estudantil sentiu necessidade de uma reflexão interna sobre a sua missão e objetivos.

Foi neste contexto que, entre 17 e 19 de Fevereiro e a 23 e 24 de Março de 1968, se avançou para o IV Seminário de Estudos Associativos, onde as várias associações estudantis do país apresentaram e discutiram, durante vários dias, cerca de 100 moções e teses sobre o estado do movimento estudantil.

Este reunião aconteceu dentro da piscina da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, o único sítio com capacidade de receber centenas de pessoas de estudantes e dirigentes associativos de várias faculdades do país, com centenas de pessoas à volta a assistir. Além disso, a piscina era "território associativo", não fazia parte do Instituto Técnico, mas sim da associação de estudantes, evitando assim um embaraço para a direção do Técnico e, mais importante, a repressão. Não há, por razões de segurança, registos fotográficos deste seminário.

A piscina foi, pois, esvaziada e o tanque serviu de sala de reuniões, com três mesas e uma plateia de cadeiras. Todo o restante espaço serviu de plateia, com dois balcões: um ao nível das escadas de acesso à piscina e outro na varanda superior.

Fundamental para a adesão dos estudantes a este seminário foi o apoio prestado pelos estudantes às vítimas das cheias de 25 de novembro, quando Lisboa foi assolada por fortes chuvadas que alagaram e destruíram as barracas e bairros populares da periferia da capital. As enxurradas e o mar de lama e detritos causado pela chuva deixaram centenas de mortos à sua passagem.

Cinquenta anos depois, o Técnico, a AEIST e o Arquivo Ephemera têm vindo a organizar várias iniciativas de discussão sobre o Movimento Estudantil no Técnico, que culminarão numa exposição no IST.