O Ephemera deste fim-de-semana regressa ao armazém e debruça-se sobre a propaganda contra a ditadura durante o Estado Novo, nomeadamente os jornais, panfletos e demais material da resistência contra o regime de Oliveira Salazar.

O Avante! foi um dos principais jornais antes do 25 de abril, mas mesmo dentro do Partido Comunista não era um assunto pacífico. Havia duas edições distintas do Avante!, cada uma com a foice e martelo de cada lado da primeira página, porque eram editadas por grupos que se combatiam entre si, principalmente nos anos 30 e início dos anos 40.

Os anos 30 e início da década de 40 foram, aliás, uma altura bastante prolífica na produção de propaganda contra a ditadura. O Avante!, por exemplo, chegou mesmo a ter uma periodicidade semanal no período mais ativo.

Estes jornais em imprimidos em papel bíblia, importado na clandestinidade ou, como muitas vezes era o caso, roubado numa fábrica pelos operários do PCP. Este papel tinha a vantagem de ser bastante leve, o que facilitava a distribuição dos jornais e panfletos. Corria também o mito urbano de que era comestível, algo que o próprio José Pacheco Pereira, curador do arquivo Ephemera, testou e garantiu tratar-se mesmo de um mito urbano.

Nas casas onde esta propaganda era imprimida, havia divisões com o material que devia ser destruído em caso de rusga da PIDE, onde não faltavam o alcoól e as lamparinas.

Entre o início da 2.ª Guerra Mundial e a invasão da União Soviética pela Alemanha, o Avante! não foi imprimido e, em seu lugar, circulava o Em frente!, outra publicação oficial do Partido Comunista. Foi durante o pacto germano-soviético e o motivo prende-se com o facto de a propaganda do PCP deste período estar politicamente muito mais próxima da Alemanha do que dos Aliados, uma vez que era anti-imperialismo e anti-guerra.

Muitos dos artigos do Em frente!, muitos deles politicamente muito incorretos, foram escritos pelo próprio Álvaro Cunhal. Apesar de formalmente ser um jornal editado pelo Partido Comunista, foi como que apagado da história do partido, uma vez que não há qualquer referência à mesma nas publicações do PCP.