O PCP/Porto alertou esta quinta-feira que “ainda chove dentro das salas de algumas instituições” de ensino superior do distrito e diz que “é urgente garantir medidas para a abertura do ano letivo” com aulas presenciais.

“O sucessivo adiamento de obras em algumas [destas instituições] origina situações deploráveis e completamente inaceitáveis, com faculdades e institutos a precisarem de obras e alterações urgentes, com estruturas velhas e sobrelotadas, sucessivas faltas de materiais e materiais velhos e obsoletos, o que confirma a falta de condições e de investimento do Estado no ensino superior”, refere a Direção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP, em comunicado.

O PCP dá como exemplo a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, em que o edifício, segundo os comunistas, “está completamente degradado, tendo já, mais do que uma vez, chovido no seu interior”, acrescentando que “vários alunos frequentam cursos sem áreas de trabalho destinadas e muitos deles vivem diariamente sufocados em espaços de trabalho exíguos”.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da Universidade do Porto explicou que há cerca de dois meses que decorrem obras de reabilitação na faculdade, que visam resolver os problemas de infiltrações, mas também aumentar o espaço deste estabelecimento de ensino superior.

O PCP aponta ainda problemas na Faculdade de Direito da Universidade do Porto (FDUP) e na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras.

“Há janelas que não funcionam, sistemas de refrigeração das salas de aula avariados ou inexistentes, espaços, por vezes, sujos e casas de banho avariadas a somar a turmas grandes com salas de aula completamente lotadas sem condições para receber tantos estudantes, muito menos fazer cumprir o distanciamento social necessário”, denunciam os comunistas do Porto.

Quanto à FDUP, a Universidade do Porto diz que as infiltrações verificadas no último ano letivo ocorreram durante as obras na cobertura, as quais já terminaram e o problema está resolvido.

A DORP do PCP conta ainda que o edifício da Escola Superior de Música Artes e Espetáculos “está num estado de degradação tão avançado que representa um perigo para alunos e trabalhadores que o frequentam”.

Contactado pela Lusa, o Instituto Politécnico do Porto, do qual fazem parte a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras e a Escola Superior de Música Artes e Espetáculos, não se quis pronunciar sobre o teor do comunicado da DORP/PCP.

No entender do PCP/Porto, “os velhos problemas – nunca antes resolvidos – intensificam-se” e “as novas exigências colocadas pelo surto epidémico de covid-19 comprovam a urgência de investimento no ensino superior, de forma a garantir que os estudantes podem retomar com segurança”.

Para os comunistas, “as aulas presenciais têm de ser retomadas”, defendendo que o ensino à distância “não pode de maneira alguma substituir as aulas presenciais, camuflando os reais problemas que os estudantes atravessam diariamente”.

“A DORP do PCP alerta que, para lá de questões de fundo só ultrapassadas com um significativo investimento no Ensino Superior, é urgente encontrar soluções para que o ano letivo se inicie com condições de funcionamento, sanitárias e de segurança em todas as escolas da Universidade e do Politécnico do Porto”, lê-se no comunicado.

/ LF