A Direcção Regional de Educação do Norte rejeitou, esta segunda-feira, a existência de discriminação racial numa escola de Barqueiros, em Barcelos, dizendo que «apenas foi criada uma turma que responde à especificidade de um grupo de jovens», alguns de etnia cigana.

«A Escola Básica de Lagoa Negra procura integrar e proporcionar o acesso ao 4º e 6º anos de escolaridade a um conjunto de jovens provenientes de dois acampamentos de famílias com debilidades acrescidas de ordem económica e social», sublinha o organismo estatal.

A existência de discriminação racial foi esta segunda-feira levantada pela Junta de Freguesia de Barqueiros, Barcelos, que se insurgiu contra a existência de uma turma de 17 alunos, maioritariamente formada por jovens daquela etnia.

A Direcção Regional de Educação do Norte rejeita a tese, frisando que foi criada «uma turma-projecto, o que constitui sempre uma medida provisória, porque, a todo o tempo, os alunos poderão transitar definitivamente para turmas regulares».

A criação da turma visa «combater o risco de abandono, escolaridade intermitente e dificuldade de frequência e assiduidade nas condições regulares».

Nesse sentido, o Agrupamento de Escolas Abel Varzim, a que a escola pertence, decidiu «dotar a turma de algumas condições especiais, com vista ao sucesso escolar e educativo dos alunos: adequação curricular e horários de funcionamento adequados para garantir a sua frequência e assiduidade, isto é, fazer respeitar o direito à Educação de todos os cidadãos».

Localizou, por isso, a turma em estabelecimento de ensino que ficasse mais próximo dos acampamentos dos jovens, tendo sido garantida, com a colaboração da Câmara Municipal, a deslocação dos alunos à Escola, onde frequentam as disciplinas de Educação Física, Tecnologias de Informação e Comunicação, e Espanhol.

Para garantir as condições de aprendizagem, «o funcionamento da turma foi sediado num monobloco igual a centenas de outros utilizados nas nossas escolas, possuindo todas as condições, designadamente, em termos de área adequada e dotado de sistemas de aquecimento e de ar condicionado».

«Absurdo» que se considere projecto «racista»

Os responsáveis da Escola, citados pela Agência Lusa, consideram que a politica pedagógica em relação à comunidade cigana é um exemplo de integração, rejeitando a tese da discriminação.

Uma fonte escolar disse que o projecto de educação especial dirigido à comunidade cigana de Barqueiros foi pensado para as integrar no sistema de ensino, já que nem sequer frequentavam a escola: «não é pelo facto de se ter recorrido a um contentor que há racismo ou discriminação», frisou, considerando «um absurdo» que alguém considere «racista» um projecto de inclusão social.

O projecto pedagógico foi pensado para alunos que não frequentavam a escola, que não tinham hábitos de estudo, pelo que se recorreu a uma equipa de professores para os acompanhar.
Redação / MM