A escola de Lamego, que em 2009 foi escolhida pela Microsoft para integrar a rede mundial de escolas inovadoras, fechou as portas por ordem do Ministério da Educação. O encerramento não constitui surpresa e apenas confirma o que a docente e directora da escola, Maria do Carmo Leitão, já tinha dito em Junho ao tvi24.pt.

Os 32 alunos da EB1 de Várzea de Abrunhais foram agora transferidos para um centro escolar onde não há telefone nem Internet, enquanto na escola anterior dispunham de «wireless» e, nas aulas, os Magalhães trabalhavam conectados com o quadro interactivo.

«Temos uma sala de aulas muito bonita, mas sem condições técnicas. O quadro interactivo não é tão avançado como o que tínhamos na antiga escola e falta-nos a plataforma que garantia a interactividade entre os computadores dos alunos e o quadro, porque nas minhas aulas o que os alunos escreviam no Magalhães aparecia no quadro», lamenta agora Maria do Carmo Leitão, em declarações ao jornal «Público».

Quase duas semanas depois de o ano lectivo ter arrancado, o trabalho que colocou a EB1 Várzea de Abrunhais no mapa das escolas tecnologicamente mais inovadoras do mundo continua suspenso e sem garantias de poder ser retomado.

«A aldeia foi posta no mundo e é pena que isto se deite tudo a perder», frisou a docente. Sem Internet, os blogues não podem ser alimentados e os alunos não podem continuar a mandar os trabalhos por e-mail. O projecto Amigos do Magalhães, mediante o qual Maria do Carmo Leitão se propunha pôr os alunos a ensinar os novos colegas a usar as novas tecnologias também está comprometido.

A notícia do encerramento de uma das escolas mais inovadoras do país surge um dia depois de mais duas escolas portuguesas terem sido seleccionadas para integrar a rede mundial de escolas inovadoras que a Microsoft promove em 114 países. A Secundária de Lagoa, nos Açores, e a EB 2,3 de Nevogilde, em Lousada, a cerca de 50 quilómetros do Porto são as escolas portuguesas escolhidas para participarem no fórum mundial de escolas inovadoras, de 26 a 29 de Outubro, na África do Sul.
Redação / AR