O PSD anunciou esta sexta-feira que quer ouvir no Parlamento e à porta fechada o Procurador-Geral da República, na sequência das declarações que fez sobre escutas ilegais, admitindo chamar também os chefes dos serviços de informações, avança a agência Lusa.

Numa conferência de imprensa na Assembleia da República, o presidente da bancada parlamentar social-democrata, Miguel Macedo, criticou o Governo, afirmando que se este «tivesse sentido de Estado teria imediatamente chamado à presença do seu ministro da Justiça o PGR para esclarecer esta afirmação gravíssima», em entrevista ao DN no passado domingo.

«Porque o Governo não fez o que devia e o primeiro-ministro adensou e aprofundou dúvidas e incertezas absolutamente que são ilegítimas num Estado de Direito democrático, quero dizer-vos que vamos chamar à Assembleia da República, de imediato, o senhor PGR, para à porta fechada, prestar os esclarecimentos que o Governo não teve interesse em ouvir», adiantou.

Macedo admitiu também, e «em face do que ocorrer nessa reunião com o PGR, chamar os responsáveis pelos serviços de informação» ao Parlamento.

O Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP) é constituído por dois organismos, o Serviço de Informações de Segurança (SIS) e o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED).

Ambos os serviços mudaram recentemente de director, com Casimiro Morgado a substituir Jorge Silva Carvalho (agora quadro da Ongoing) no SIED e Horácio Pinto a ocupar o cargo de Antero Luís (nomeado secretário-geral do Sistema de Segurança Interna).

Durante o debate quinzenal com o Governo, Miguel Macedo interpelou o primeiro-ministro sobre as declarações de Pinto Monteiro.

Já em declarações aos jornalistas, no final do debate, Sócrates afirmou não ter conhecimento de nenhuma escuta ilegal, considerando que o PGR não deixará de exercer as suas competências caso isso se verifique, declarações que o líder parlamentar do PSD considerou deixarem «no ar a ideia de que pode efectivamente haver escutas ilegais».
Redação / SM