Um homem de 24 anos confessou esta terça-feira no Tribunal de Aveiro ter esfaqueado com gravidade um primo de 31 anos, porque julgava que este o ia atacar, mas reconheceu que foi tudo fruto da sua imaginação.

O arguido, que se encontra em prisão preventiva, está acusado de um crime de homicídio na forma tentada e outro de detenção de arma proibida.

O Ministério Público (MP) requereu ainda uma medida de segurança de internamento em estabelecimento de cura por um período entre três e dez anos.

Perante o coletivo de juízes, o arguido confessou o crime, mostrando arrependimento.

Sentia-me muito mal na altura e nos tempos anteriores ao que aconteceu. Tenho bastante vergonha do que fiz. Agora, com a toma da medicação no estabelecimento prisional, sinto que já melhorei um pouco”, disse, adiantando que até essa altura nunca tinha tido acompanhamento psiquiátrico, porque achava que não precisava.

O arguido contou ainda que antes de cometer o crime tinha estado a consumir canábis e disse que esfaqueou o primo, porque achou que ele o queria atacar.

Achava que ele tinha uma arma no bolso do casaco e cheguei a pensar que tinha ouvido tiros”, disse, reconhecendo, contudo, que foi tudo fruto da sua imaginação.

Adiantou ainda que na altura costumava andar com uma faca, porque achava que as pessoas estavam todas contra ele, incluindo a própria família, e pensava que ia ser atacado.

As agressões ocorreram a 15 de fevereiro de 2019, na casa da vítima, em Cacia, no concelho de Aveiro, onde o arguido se deslocou para abordar a companheira do primo, por quem teria um “interesse amoroso”.

Alertado pela companheira, a vítima, que se encontrava a trabalhar no campo, deslocou-se para casa e questionou o arguido sobre os motivos da sua presença no local.

Quando se deslocou para o interior da habitação, a vítima foi seguida pelo arguido que o atacou pelas costas com uma faca, desferindo vários golpes na zona do pescoço e cabeça e numa mão.

Um amigo da vítima veio em seu auxílio e puxou o arguido, tendo impedido que este continuasse a desferir golpes com a faca. Logo a seguir, o arguido fugiu do local.

O MP diz que o arguido visou pôr termo à vida do primo, o que só não sucedeu por motivos alheios à sua vontade.

Segundo a acusação, à data dos factos o arguido apresentava “grave sintomatologia psiquiátrica” que o incapacitava de avaliar a ilicitude dos factos.

Além disso, o MP diz que não está excluída a perigosidade social do arguido, não sendo possível assegurar que não se venham a repetir factos idênticos aos que alegadamente cometeu.