Uma equipa de resgate foi acionada para localizar quatro espeleólogos portugueses que estão desde sábado na gruta de Cueto-Coventosa, em Espanha, com os trabalhos de socorro a serem dificultados pela subida do nível da água.

Paula Fernández, do ministério do Interior, afirmou, de acordo com a ABC, que os quatro espeleólogos “estão localizados”, mas a equipa de resgate continua à espera que o nível das águas baixe para poderem chegar até eles.

Fernández explicou que os quatro portugueses “estão perfeitamente preparados, conheciam a cavidade e já a tinham estudado”.

Temos esperança de que isto se resolva ao longo do dia de hoje”, até porque as previsões para amanhã, terça-feira, indicam “muita chuva”, o que “complicará o resgate”.

Quatro especialistas da equipa de espeleologia conseguiram aceder à gruta no domingo, no município cantábrico de Arredondo, depois das 22:00 (21:00), embora só tivessem conseguido avançar cerca de 50 metros devido ao nível de água, segundo a agência de notícias EFE.

O serviço de emergência do governo da Cantábria, que coordena a operação, informou em comunicado que os especialistas indicaram que a água está a baixar no interior da gruta a uma velocidade de 10 centímetros por hora, muito mais lentamente do que se previa inicialmente.

Equipa de Socorro aguarda que nível de água desça

As equipas de socorro aguardam pela descida do nível da água para entrarem na gruta, disse à Lusa uma fonte da Fundação de Espeleosocorro Cántabro.

Estamos à espera que baixem os níveis da água, para depois subirmos ao encontro dos quatro portugueses que, em princípio, estão bem e à nossa espera”, disse à agência Lusa Martín González Hierro, da Fundação Espeleosocorro Cántabro (ESOCAN).

Os portugueses pertencem ao Clube de Montanhismo Alto Relevo de Valongo, região do Porto.

O nível da água no interior da gruta subiu muito e isso não estava previsto pela equipa que desceu no sábado”,  disse Vítor Gandra, coordenador da seção de espeleologia do Clube de Montanhismo Alto Relevo, que vai ainda esta segunda-feira para Espanha. 

A equipa portuguesa de espeleologia, que tinha programado a viagem à gruta para entre sexta e segunda-feira, é formada por sete elementos, três da equipa de apoio que ficou no exterior da gruta e quatro que estão retidos.

São todos espeleólogos muito experientes com idades de cerca de 30 anos, mas não estavam à espera do contratempo causado pela subida do nível das águas”, acrescentou Vítor Gandra.

A previsão da Agência Estatal de Meteorologia é de chuvas fracas durante a manhã, sem registo de pluviosidade à tarde, com o tempo a agravar-se na terça-feira.

A equipa de resgate deverá instalar esta segunda-feira cordas e corrimões se o nível da água não baixar.

"Aparentemente está tudo bem" - embaixador de Portugal em Madrid

O embaixador de Portugal em Madrid afirmou que, "aparentemente", os quatro portugueses retidos numa gruta no norte de Espanha "estão bem", depois de falar com as autoridades de proteção civil da Cantábria que os estão a tentar resgatar.

Estamos em contacto com as autoridades de proteção civil e aparentemente estão bem", disse Francisco Ribeiro de Menezes à agência Lusa, acrescentando que "se for necessário" o cônsul de Portugal em Bilbau irá até ao local, o que ainda não está previsto.

Os quatro portugueses procurados entraram no sábado pela entrada de Cueto às 11:00 (10:00 em Lisboa), de acordo com o serviço de emergência espanhol.

Na ausência de notícias dos espeleólogos, os outros três companheiros pertencentes à equipa entraram ao meio-dia (11:00 em Lisboa) de domingo por Coventosa para tentar encontrá-los, mas o elevado nível da água impossibilitou que prosseguissem a marcha.

Assim, às 16:30 (15:30 em Lisboa), notificaram o centro de coordenação do 112, a partir do qual foi mobilizado o dispositivo de resgate.

A operação integra a equipa da ESOCAN, além de técnicos da Direção Geral do Interior do governo da Cantábria, agentes da Guarda Civil e voluntários da Associação de Proteção Civil de Arredondo.