O Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNG/E) sinalizou junto da Segurança Social e do Ministério Público “casos sociais”, ou seja, pessoas abandonadas pela família, estando a ponderar apresentar queixas, indicou esta sexta-feira à Lusa fonte deste hospital.

Em momentos difíceis deparamo-nos com o melhor que há em nós, e percebemos que somos capazes do inacreditável, tornando-nos heróis. Infelizmente, o oposto também se verifica. O CHVNGE tem sido confrontado com a permanência de pessoas internadas sem necessidade clínica, abandonadas pela própria família”, lê-se na mensagem publicada nas redes sociais do CHVNG/E.

Já em resposta à agência Lusa, fonte deste centro hospitalar revelou que “neste momento” estão 12 doentes sinalizados como “casos sociais”.

Em causa estão utentes cujo estado de saúde não implica cuidados, ou seja, estão em condições de ter alta clínica.

No entanto, são pessoas que necessitam de cuidador, por razões de dependência, o que não permite uma alta clínica com segurança”, descreve o CHVNG/E, recordando que “a situação torna-se mais dramática atualmente, uma vez que, se já em circunstâncias e condições regulares, o perigo de contrair infeções é elevado, esse perigo aumentou substancialmente” com a pandemia covid-19.

O CHVNG/E alerta que este abandono “não só põe em causa a vida de pessoas saudáveis, como pode impedir o tratamento de quem mais necessita, uma vez que há uma ocupação de cama sem necessidade clínica”.

De acordo com os serviços sociais deste hospital, esta é uma realidade que não é nova, porque, referem, “este problema sempre existiu infelizmente”, mas tem vindo a ser “uma constante nos últimos anos”, registando um “agravamento acentuado neste período de contingência”.

Temos casos mais recentes de portadores de Covid-19, dependentes de terceiros, que ainda não foi possível reintegrar nos seus domicílios, por ainda não haver resposta familiar e/ou social”, referiu à Lusa fonte do hospital.

Assim, o CHVNG/E sinalizou estes “casos sociais” junto do Instituto de Segurança Social e do Ministério Público (MP).

O MP, na generalidade dos casos, acaba por solicitar ao CHVNG/E que o processo dê entrada não como queixa formal, mas como ‘solicitação do estabelecimento do estatuto e maior acompanhado’ – que não implica qualquer consequência para cuidadores negligentes”, é descrito na resposta à Lusa.

No entanto, dadas as circunstâncias atuais derivadas da pandemia do novo coronavírus que já provocou mais de 145 mil mortos e infetou mais de 2,1 milhões de pessoas em 193 países e territórios, o CHVNG/E está a ponderar apresentar queixas.

Após uma análise caso a caso, se assim se justificar, pretendemos apresentar queixa por crime de abandono”, referiu a mesma fonte.

Na sua página de Facebook, o CHVNG/E sublinha que se a realidade do abandono em hospitais “já é inaceitável em qualquer circunstância, em período pandémico, é intolerável”.

Não nos podemos esquecer que estas pessoas se encontram em maior risco de contágio. O CHVNG/E não pode compactuar com estas situações pelo que irá, sempre que se verifiquem, notificar às autoridades competentes, na defesa da saúde destas pessoas”, termina a publicação.

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