A investigação da Polícia Judiciária decorria há já três anos e nesse tempo mais de mil estrangeiros terão vindo para Portugal com a promessa de contratos de trabalho. A maior parte tinha como origem o Paquistão e muitos acabavam depois em esquemas de exploração sexual ou laboral em países do espaço Schengen.

No processo de legalização, o imigrante precisava da emissão de um número de contribuinte e de Segurança Social. Para facilitar o processo de cada imigrante - em vez de meses, o processo durava apenas poucos dias -, os funcionários desses serviços do Estado eram corrompidos com quantias de cerca de 200 euros. Os valores pagos terão chegado aos 12 mil euros. 

Há pelo menos 20 detidos. Entre eles estão três advogados, uma inspetora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, dois funcionários da Segurança Social e dois da Autoridade Tributária. Há ainda mais de uma dezena de detidos, agentes de ligação inseridos nas comunidades estrangeiras que fomentavam a vinda de novos imigrantes com promessas de trabalho e legalização garantida.

Alguns dos detidos estavam já referenciados pela prática do mesmo tipo de crime. É o caso de Sónia Francisco, inspetora do SEF, que estava colocada na delegação de Alverca e estava suspensa de funções na sequência de um processo disciplinar por um esquema semelhante.

Na megaoperação da PJ estão envolvidos mais de 240 inspetores e vários magistrados do ministério público que realizaram várias buscas, domiciliárias e não domiciliárias, para apreensão de documentos. Em causa estão os crimes de associação criminosa, corrupção ativa ou passiva, auxilio à imigração ilegal e falsificação de documentos.