O cidadão marroquino, detido em Marselha no último fim de semana, por suspeitas de pertencer ao autoproclamado Estado Islâmico e de estar a participar na preparação de um atentado terrorista em França, tinha estatuto de asilado político em Portugal.

Hicham el Hanafi chegou a Portugal em 2014, juntamente com outro cidadão marroquino. De acordo com o Diário de Notícias, foi-lhe concedido estatuto de asilado e autorização de residência até 2018.

De acordo com o DN, o jovem e o compatriota alegaram perseguição política por parte do governo marroquino para requererem o estatuto de asilado político.

Hicham el Hanafi, de 26 anos, tinha carta de condução portuguesa e liberdade para circular nos países abrangidos pelo espaço Shengen. Terá, aliás, visitado alguns antes de ser detido, no último fim de semana, em Marselha. Terá, nomeadamente, passado pela Grã-Bretanha, utilizando um passaporte falso francês.  

Quando foi detido, o jovem marroquino estava na companhia de um amigo afegão, que se preparava para lhe dar alojamento, avança o jornal francês Le Parisien. O jornal francês adianta também que Hicham era responsável pela angariação do dinheiro para comprar armas para o Estado Islâmico.

Em Portugal, Hicham era vigiado pela Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) desde o verão de 2015, por suspeita de estar a tentar recrutar muçulmanos para as fileiras jihadistas.

A UNCT pediu, através do Sistema de Informação Shengen, a outros países que fizessem também "vigilância discreta" a Hicham e ao compatriota com quem deu entrada em Portugal, sempre que atravessassem as fronteiras. Foi, aliás, deste modo que a polícia francesa soube que estava referenciado por terrorismo em Portugal.

Apesar de referenciado e vigiado de forma discreta, Hicham, que tinha residência em Aveiro, nunca foi detido em Portugal, uma vez que nunca cometeu crimes, nem nunca houve provas de que tenha feito recrutamentos para o autoproclamado Estado Islâmico.

De acordo com o DN, o jovem usaria Portugal como base e ponto de passagem para circular na Europa. Haverá vários registos das suas idas a Marselha, adianta uma fonte próxima do processo, citada pelo DN.