Os bastonários das Ordens dos Advogados, Marinho Pinto, e dos Médicos, Pedro Nunes, criticam o número de vagas disponíveis no Ensino Superior e questionam o futuro profissional de tantos estudantes de Medicina e Direito.

Este ano, há um aumento de mais de 2 mil vagas no Ensino Superior, em relação ao ano passado. Para os cursos de Direito, abrem, este ano, mais 100 lugares. Para os de Medicina, há apenas mais três vagas.

Em declarações à TSF, Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, duvida que, no futuro, haja emprego para tanta gente. «Se o Estado ao mesmo tempo que autoriza as vagas para Medicina, simultaneamente colocar restrições financeiras e não abrir as vagas suficientes no internato é um desperdício o que se está a fazer. As coisas têm que ser analisadas em conjunto», afirma.

Também Marinho Pinto critica o número de vagas no curso de Direito. O bastonário da Ordem dos Advogados considera que o Estado insiste em aliciar os jovens para uma área onde não há saídas profissionais. «Praticamente todos os licenciados em direito querem ocupar as saídas profissionais tradicionais, as magistraturas, onde reprovam 96/97 por cento, os notários, notariado e conservadores onde reprovam 90 e tal por cento, depois querem entrar todos na Ordem dos Advogados. Isto é absolutamente impossível, o Estado tem que criar novas saídas profissionais», afirma Marinho Pinto, em declarações à TSF.

O bastonário dos advogados alerta que Direito é uma área esgotada ao nível do emprego e sublinha que o Ensino Superior está «mercantilizado, perdeu qualidade e estão mais interessados em financiar as universidades» do que em ensinar bons conhecimentos.
Redação / MM