Um terço dos trabalhadores que participaram num estudo desenvolvido pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco), e que será publicado na edição de outubro da revista Teste Saúde, estão em risco de esgotamento profissional ou Burnout.

As primeiras informações sobre o estudo foram reveladas esta terça-feira e a TVI24 falou com Bruno Santos, um dos técnicos que participou no estudo, e que nos ajudou a encontrar os sinais de alerta e o que deve ser feito por quem se encontra nesta situação extrema.

“Há sinais físicos e emocionais”, começa por explicar Bruno Santos. Estes são os mais comuns:

- Dores de cabeça

- Dores de estômago

- Dores nas costas

- Distúrbios de sono como, por exemplo, insónias

- Problemas intestinais

- Exaustão: um cansaço extremo. Além de físico também pode ser emocional e revelar-se através de um descontrolo das emoções

- Ansiedade: mesmo quem nunca teve problemas em gerir situações de stress pode, por exemplo, começar a sentir ansiedade com tarefas que antes eram rotineiras. Apesar de custar regressar ao trabalho às segundas-feiras para a maioria das pessoas, alguém em risco de Burnout terá dificuldades acrescidas

Além disso, um trabalhador no limite também começa a sentir-se incapaz de gerir tarefas diárias, que antes fazia sem problemas, e que, a dada altura, se tornam obstáculos intransponíveis

- Desinteresse profissional: deixa de ser importante para o funcionário cumprir as suas obrigações profissionais, porque considera que não será valorizado por isso

- Há uma menor produtividade

- Apatia

- Problemas de concentração

- Degradação progressiva das relações familiares

Segundo Bruno Santos, a “rede familiar é muito importante” na procura de ajuda de quem se encontra nesta situação. Mas as empresas também precisam de fazer mais.

E faz uma comparação com o mundo do futebol que na sua opinião está “mais à frente” que as empresas tradicionais.

“Para os clubes, os jogadores são ativos e são tratados como tal”, afirma. 

O que fazer?

Para combater o esgotamento profissional, “é fundamental procurar ajuda especializada”, ressalva Bruno Santos. A medicação pode ser necessária e deve ser avaliada pelos especialistas. “Cada caso é um caso e o que funciona com uma pessoa, pode não funcionar com outra”, acrescenta.

“Alterar as rotinas diárias” também é essencial.

Em vez de ir para casa logo após o trabalho, Bruno Santos sugere, por exemplo, “uma caminhada, ver o mar, praticar uma atividade física”. Para quem se encontra descontente nas suas funções “investir em novas formações” também pode dar alento no futuro.

Todavia, Bruno Santos não tem dúvidas que para alterar estes números, as empresas nacionais também precisam de mudar.

“Há falta de uma política de porta aberta”, lamenta. “É preciso investir num ambiente inclusivo, aberto”, explica.

Em seguida destaca dois exemplos detetados no estudo da Deco que afetam, em muito, os trabalhadores das empresas e são responsáveis por problemas laborais:

“Alterar as funções sem falar com o trabalhador ou propor objetivos inalcançáveis, colocando muita pressão nos funcionários.”

Apesar do estudo da Deco, agora conhecido, estar ligado a trabalhadores, o Burnout não se esgota na vida profissional. Há outras situações, a nível familiar, que podem levar a esse caminho. Bruno Santos lembra, por exemplo, “o caso dos cuidadores”. Ou seja, quando alguém próximo, um familiar, precisa de cuidados especiais e faltam ajudas por parte do Estado.