Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) combinaram nanopartículas de duas substâncias de origem natural com a radioterapia em modelos animais de cancro da mama e concluíram que o crescimento do tumor diminui “significativamente”.

Em declarações feitas esta sexta-feira à agência Lusa, Flávia Castro, investigadora do instituto da Universidade do Porto, explicou que o estudo, publicado na revista cientifica Biomaterials, teve por base nanopartículas de dois biomateriais, o quitosano (extraído de crustáceos) e o ácido-poliglutâmico (extraído da fermentação de bactérias).

Verificamos que essas nanopartículas tinham, por si só, capacidade de alterar o perfil de células imunes e de as ativar através de diferentes vias”, explicou.

Partindo desse princípio, os investigadores quiseram perceber, em colaboração com especialistas do Laboratory of Experimental Cancer Research, na Bélgica, se as nanopartículas “podiam potenciar outras terapias já existentes”, como a radioterapia.

Em laboratório, os investigadores trataram de três diferentes formas de cancro da mama em modelos animais (ratinhos): induzindo só nanopartículas, induzindo só radioterapia e combinando os dois tratamentos.

Combinando os dois tratamentos, verificamos que éramos capazes de reprogramar as células imunes, diminuindo a resposta imunodepressora e aumentando a resposta antitumoral, ou seja, conseguimos modelar estas células que estavam a promover o tumor no sentido contrário, passando a combater o tumor”, esclareceu.

A combinação dos dois tratamentos originou assim uma “diminuição do crescimento dos tumores” e a inibição da formação de metástases tumorais, dando “pistas” aos investigadores do que pode vir a ser feito para “potenciar” a atual resposta à radioterapia.

A radioterapia, por si só, tem excelentes resultados, mas a verdade é que ingere dano muitas vezes no paciente, especialmente na resposta da reparação do tecido. A nossa terapia pode ajudar nisto, porque a resposta da reparação do tecido vai, de certa forma, baixar a resposta ao tumor, ou seja, adicionar uma terapia extra que vá modelar estas células e poderá trazer grandes benefícios para os pacientes”, esclareceu Flávia Castro.

Neste momento, os investigadores estão a tentar “potenciar ainda mais” o método, tentando encapsular outros agentes imunomodeladores dentro das partículas, nomeadamente, agentes quimioterapêuticos.

No âmbito deste trabalho, Flávia Castro recebeu a distinção de ‘Best Poster Award’ da Liga Portuguesa Contra o Cancro, apresentado durante a conferência ‘web’ Cancer Biology: from Basic to Translational Research.

/ CE