As lesões pulmonares nalgumas das pessoas que adoeceram após o consumo de cigarros eletrónicos, nos Estados Unidos, são em grande parte semelhantes a queimaduras químicas, observadas em casos de exposição forte.

Os resultados são de um estudo levado a cabo pela Clínica Mayo, norte-americana, que avaliou os pulmões e as mazelas de 17 pacientes, dois deles já mortos.

Brandon T. Larsen, o patologista cirúrgico envolvido na investigação, refere que não há sinais que indiquem existência de óleos – provenientes do produto para fumar – nos pulmões, mas sim uma “aparência fina e espumosa que é característica de lesões químicas".

Todos os casos mostram um padrão de lesão no pulmão que se parece com uma exposição química tóxica, como uma queimadura química", disse em Scottsdale, Arizona, citado pelo The Independent.

De acordo com o médico, são ferimentos que lembram aqueles observados em pessoas que estiveram expostas a gás mostarda, usado em cenários de guerr, como arma química, por exemplo, na Síria ou, em tempos, na Primeira Grande Guerra.

Para ser sincero, são lesões que esperaríamos encontrar em algum trabalhador vítima de um acidente industrial, como se tivesse havido um derrame de um grande barril de produtos tóxicos”, afirmou.

Os resultados deste estudo estão publicados no The New England Journal of Medicine e foram obtidos através da análise de amostras de 17 pessoas – 13 homens e quatro mulheres – com idades entre os 19 e os 67 anos.

Em 70% dos casos, havia histórico de utilização de aparelhos eletrónicos para fumar, quer nicotina quer o princípio ativo da canábis.

Até agora, foram identificados mais de 800 casos de doença pulmonar, com associação direta a cigarros eletrónicos. Pelo menos 16 pessoas morreram com complicações pulmonares.

O estudo é, no entanto, parco em explicações que justifiquem os danos. As equipas médicas ainda não conseguiram identificar a origem das lesões, ou se está sequer relacionada com os produtos consumidos ou mesmo o material dos aparelhos.