Associar a criminalidade violenta aos imigrantes é uma ideia errada. Maria João Guia vem, agora, prová-lo.



A investigadora estuda, desde 2004, a relação entre a criminalidade violenta e a entrada de estrangeiros em Portugal e no livro «Imigração e Criminalidade Violenta - Mosaico da reclusão em Portugal», lançado esta quinta-feira, em Coimbra, deita por terra o mito que associa o aumento da criminalidade violenta à subida da imigração.

«Existe uma percepção pública do aumento do crime violento associado à imigração», disse a investigadora à Lusa, que, depois de analisar um universo de cerca de 6800 reclusos estrangeiros (dados recolhidos em 2002, 2005 e 2008), sustenta que «não se poderá concluir que os imigrantes tenham uma maior intervenção na criminalidade violenta do que os portugueses».

A investigadora, que é também inspectora no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), constata que o número de reclusos não nacionais nas cadeias portuguesas subiu 84 por cento de 1999 para 2006, decrescendo 14 por cento em 2008, altura em que representava 20 por cento do total de detidos.

Analisando a proveniência dos reclusos estrangeiros, verifica-se que a maioria são oriundos de países africanos de língua portuguesa. Ao individualizar os crimes violentos (homicídio, roubo, violação e ofensas à integridade física) e centrando-se nos mais relevantes, constata-se que, em termos de homicídios, «apenas uma nacionalidade ¿ a ucraniana - apresenta valores de condenações superiores» às dos portugueses que praticaram o mesmo tipo de crime.

E, no que respeita ao roubo, apenas três nacionalidades apresentam «valores de condenações mais altos, mas com diferenças pouco significativas em relação aos portugueses».
Redação / CF