Setenta por cento dos adolescentes e jovens do distrito do Porto entre 15 e 19 anos legitimam a violência doméstica, ao afirmarem que «tem a ver com exercer controlo», revela um estudo da docente da Universidade Fernando Pessoa Madalena Oliveira.

«Há um fenómeno transgeracional de violência doméstica. A probabilidade de estes jovens repetirem e serem vítimas de violência no futuro é altíssima», disse à agência Lusa a autora do estudo.

Madalena Oliveira afirmou que 70 por cento dos 283 jovens que inquiriu no distrito do Porto, todos entre os 14 e 19 anos e a frequentar os ensinos secundário e profissional, legitimam os actos violentos ao afirmarem que «a violência tem a ver com o poder de exercer controlo».

Cerca de 61 por cento dos inquiridos consideram que «os pais batem nos filhos para eles se corrigirem» e 57 por cento dizem ter sido vítimas de comportamentos abusivos nas suas relações de namoro. «A tendência é agravar-se com o casamento e com a idade. Passam a cometer actos físicos mais severos, bofetadas, sovas, murros, pontapés e abuso sexual», afirmou.

A investigadora salientou que ficou muito vincada nos inquéritos a ideia do ditado «entre marido e mulher ninguém mete a colher», legitimadora da violência escondida.

45 por cento praticaram actos abusivos durante namoro

Dos estudantes inquiridos, 45 por cento admitiram ter praticado um acto abusivo com o seu parceiro de namoro, 16 por cento afirmaram que já presenciaram comportamentos físicos abusivos, 64 por cento assistiram a comportamentos emocionais abusivos e 17 por cento assistiram a alguém a coagir outro familiar.

Madalena Oliveira referiu que o seu estudo, integrado no doutoramento em Psicologia da Justiça, vai envolver inquéritos a cerca de quatro mil estudantes de todo o país, da mesma faixa etária (14-19 anos).

«Neste momento, tenho 1.800 casos recolhidos, de toda a região Norte e de parte da região Centro», afirmou, acrescentando que os primeiros dados já tratados e analisados são os respeitantes ao distrito do Porto que agora divulgou.

A docente da Universidade Fernando Pessoa, licenciada em Serviço Social e mestre em Ciências Forenses, espera ter o estudo concluído «no final do próximo ano».