Os tratamentos que «prolongam exageradamente» o processo de morte das pessoas são completamente «inúteis, fúteis e desproporcionados», afirmou esta quinta-feira à Lusa o coordenador nacional da Pastoral da Saúde, sublinhando que a Igreja é «contra este tipo de práticas», noticia a Lusa.

«A Igreja é contra a eutanásia [precipitação da morte], mas também contra o prolongamento exagerado da vida [distanasia], contra o encarnecimento terapêutico», afirmou o padre Vítor Feytor Pinto, acrescentando que muitas vezes o «aguentar afectivamente uma pessoa leva a tratamentos completamente inúteis, fúteis, desnecessários e desproporcionados». «Estes tratamentos não devem ser feitos, esta é a posição da Igreja», reiterou.

Falando à margem do colóquio «Eutanásia e o direito a vida», organizado pela Associação Portuguesa de Psicogerontologia (APP), e que decorreu esta quinta-feira em Lisboa, o pároco da Igreja do Campo Grande sublinhou que a Igreja «não tem problemas em falar sobre a eutanásia» e que a sua posição é «muito clara».

«A Igreja diz sempre que se deve defender a vida, mas acrescenta logo que não se deve criar um processo de desenvolvimento do processo de morte que seja altamente magoante para a pessoa», vincou Vítor Feytor Pinto.

«Morremos como vivemos»

«A reflexão sobre o direito à vida e o direito a morrer com dignidade é um problema extremamente interessante, que deve ser assumido não só no plano intelectual, mas também no planto prático, para ver que soluções existem para esta interrogação. Mas nunca se deve esquecer a dimensão ética da questão», referiu.

Vítor Feytor Pinto recusou ainda chamar a eutanásia de «tema fracturante»: «Não concordo com essa designação, porque o que está em questão é a vida e dignidade da pessoa humana, e isto não pode fracturar», frisou.

Para o pároco de Campo Grande, o que «parece estar errado na actual sociedade» não é o problema da aproximação do momento da morte, «é o tipo de vida que as pessoas vivem, a qualidade de vida».

«A morte é o acontecimento mais universal que existe. Nós morremos como vivemos, pelo que o sentido da morte está no sentido da vida. Muita gente, quando diz que quer morrer, ou fazer processos que provoquem a sua morte, está a dizer que quer outro tipo de vida, uma vida com outra qualidade», considerou o também presidente da APP.

Ao colóquio «Eutanásia e o direito a vida» seguiu-se um debate com várias figuras das áreas social, médica e jurídica da sociedade portuguesa.
Redação / HB