A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) defendeu esta quinta-feira que a digitalização de provas e exames deve ser preparada com as escolas e as famílias, por forma a não deixar ninguém de fora.

Parece-me uma proposta positiva, até porque a pandemia veio evidenciar a necessidade de se investir no digital, mas é preciso ver as condições que as escolas têm e as famílias também, porque para responder num exame pela via digital, é preciso que os alunos tenham em casa as condições necessárias para também estudarem por essa via”, disse à agência o presidente da CONFAP, Jorge Ascensão.

O Jornal de Notícias noticiou esta quinta-feira que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) enviado pelo Governo para Bruxelas prevê um investimento de 12 milhões de euros na mudança gradual da avaliação externa, até ao final de 2025.

O responsável pela CONFAP considerou que, mais do que os números inscritos no documento, é necessário avaliar as condições de cada família na área tecnológica e desenvolver formação neste campo, bem como junto dos profissionais das escolas.

Segundo o JN, está prevista uma dotação total de 559 milhões de euros para inovação e desenvolvimento das competências tecnológicas digitais.

Para Jorge Ascensão deve manter-se a possibilidade de os exames serem feitos em papel: “Não devemos também caminhar do oito para o 80. Há sempre quem se sinta mais à vontade com o papel”.

Por outro lado, alertou, há aspetos como a motricidade fina que não se aprendem com um computador, logo “também não se pode responder com o computador”.

Devemos apostar na inclusão e na equidade e não deixar ninguém de fora”, frisou o representante dos pais.

A CONFAP espera ser chamada a este debate por forma a que as mudanças possam ser preparadas e adotadas com tempo e equilíbrio, mas concorda que a medida deve ser encarada, se faz parte do futuro.

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