A prova de aferição de Matemática e Estudo do Meio realizada, esta quarta-feira, foi “mais adequada” que as de anos anteriores, mas alguns itens tinham “grau de complexidade demasiado desajustado” a alunos do 2.º ano, defendeu a Sociedade de Matemática.

A prova não contém erros científicos e parece-nos claramente mais adequada do que as dos anos anteriores, tendo-se corrigido em particular vários aspetos apontados pela SPM [Sociedade Portuguesa de Matemática] no passado. Contudo, pontualmente, alguns itens apresentam ainda um grau de complexidade demasiado desajustado a alunos do 2.º ano de escolaridade”, lê-se num parecer divulgado.

Segundo a sociedade científica, na prova feita pelos alunos do 2.º ano de escolaridade “os conteúdos matemáticos são pouco variados, provavelmente por se pretender também avaliar Estudo de Meio”, uma opção da qual a SPM discorda “por configurar uma interdisciplinaridade artificial e forçada”.

Os itens de Matemática não são suficientes para aferir adequadamente os conhecimentos adquiridos pelos alunos no final do 2.º ano: este teste avalia de forma deficiente um certo número de técnicas essenciais a um prosseguimento de estudos de sucesso em Matemática”, lê-se no documento que aponta uma “ratoeira desnecessária” num dos primeiros itens da prova pela forma como foi redigido, e que poderia levar “muitos alunos a efetuar a operação errada”.

A SPM critica também o “grau de complexidade demasiado elevado” para o nível de ensino a ser avaliado e exercícios com demasiados passos para aquilo que é recomendado no 2.º ano de escolaridade.

No parecer, a SPM insiste nas críticas à eliminação dos exames finais do 1.º ciclo, apontando a “total ineficácia” das provas de aferição em termos de avaliação e monitorização das aprendizagens, um “problema agudizado” pelo diploma de autonomia e flexibilidade curricular, que permite às escolas gerir os currículos.

Para a sociedade científica “será a partir de agora impossível conhecer os currículos aplicados aos alunos no terreno, situação obscurantista e totalmente inédita na história do ensino em Portugal”.