dona e as funcionárias do lar ilegal em Évora onde existe um surto de covid-19, já com um morto, argumentaram estar “exaustas” porque, ao fim de uma semana, continuam a trabalhar, apesar de também estarem doentes.

Esta é uma das reclamações que constam de uma exposição que o advogado da proprietária, Vítor Saruga, disse esta quinta-feira à agência Lusa ter enviado, ao final da tarde de quarta-feira, à “Câmara Municipal de Évora (CME), Segurança Social, Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo e delegado de Saúde”.

Em nome da minha constituinte, enviei esta exposição a todas essas entidades, a requerer a intervenção das mesmas com caráter de urgência” no lar e a dar conta da “atual situação que se vive” na instituição”, explicou.

O documento, consultado pela Lusa, refere que “há uma semana que a proprietária e funcionárias”, infetadas com covid-19, tal como “muitos dos seus familiares, têm-se visto na necessidade de continuar a laborar 24 sobre 24 horas, no sentido de prestar os cuidados necessários” aos utentes do lar, todos eles com a doença.

No entanto, as funcionárias e a proprietária, além de infetadas, encontram-se neste momento exaustas, não lhes podendo humanamente ser exigido que continuem a laborar”, pode ler-se na exposição.

Segundo o documento, “foi garantido a todas as pessoas que se encontram no lar a intervenção de equipas tecnicamente competentes para a sua substituição na prestação de cuidados aos idosos que destes carecem”.

Contudo, “não existiu por parte de nenhuma entidade qualquer resposta concreta, nem sequer informações sobre as ações que estão a ser adotadas”.

Por isso, realça o documento em nome da proprietária, “considera-se que não estão reunidas as condições para dar continuidade à atividade do lar” e as trabalhadoras e a proprietária ameaçam abandonar as instalações, ao final do dia.

“Tendo em consideração o estado de saúde das funcionárias, não se lhes poderá ser exigido que continuem a laborar nas atuais condições”, pode ler-se.

A proprietária requereu também a implementação, “com caráter de urgência”, dos “Planos de Contingência existentes na CME, Segurança Social, Direção-Geral da Saúde DGS e ARS para este tipo de surtos de covid-19”.

Uma utente do Lar da Quinta da Sizuda infetada com covid-19 e que se encontrava internada no HESE morreu na noite de quarta-feira, revelou esta quinta-feira a unidade hospitalar.

De acordo com informações da câmara e da ARS, há 52 pessoas diretamente atingidas por este surto da doença provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2.

Destas, 39 dizem respeito ao lar, ou seja, 30 idosos e nove funcionários, enquanto os outros 13 casos são pessoas da comunidade.

No lar encontram-se 28 idosos, já que os outros dois utentes permanecem internados no HESE. Aguarda-se que seja concretizada a transferência dos doentes que estão no lar para uma residência de estudantes cedida pela Universidade de Évora.

O primeiro caso de covid-19 detetado neste lar ilegal da cidade foi o de um idoso que foi transportado, há precisamente uma semana, para o HESE, onde fez o teste à doença, que deu positivo.

De acordo com o autarca de Évora, Carlos Pinto de Sá, o lar está ilegal por se localizar numa zona da cidade cujo plano de urbanização não permite este tipo de estruturas.

Utentes e duas funcionárias do lar ilegal em Évora transferidos durante a noite

Os utentes e duas funcionárias do lar ilegal em Évora começaram a ser transferidos esta quinta-feira à noite para uma residência universitária, disse o presidente do município.

A "transferência vai iniciar-se hoje à noite", numa operação que deverá demorar "três ou quatro horas", indicou o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, em declarações à agência Lusa.

O autarca assinalou que, além dos 28 utentes que se encontram no lar, vão ser transferidas para a residência universitária duas funcionárias da instituição, as quais "não têm condições de isolamento na sua casa".

Segundo o presidente do município, a transferência vai ser feita pelos bombeiros e concretiza-se após a avaliação das autoridades de saúde "ao momento" da operação.

Pinto de Sá notou que foram feitas "análises e exames de precaução" na residência da Universidade de Évora e que foi detetada a bactéria ‘legionela’, mas assinalou que "não foi por esse via" que a transferência se atrasou.

Estivemos a aguardar a avaliação do estado de saúde dos utentes que foram ao hospital e a constituição da equipa" que vai prestar os cuidados aos utentes na residência universitária, vincou.

/ HCL - atualizada às 20:38