O militar português que ficou gravemente ferido, na quinta-feira, num acidente de viação na República Centro-Africana, já chegou a Portugal e já se encontra internado no Hospital das Forças Armadas

Em comunicado, o Gabinete do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) informa que o soldado está acompanhado da família e amigos. 

No documento, é ainda transmitida uma palavra de força e coragem a todos os militares do Exército e da Força Aérea. 

Enviamos uma palavra de muito apreço e coragem para todos os bravos militares do Exército e da Força Aérea que, de forma abnegada e ao serviço das Nações Unidas, promovem a paz e a ajuda humanitária na República Centro-Africana, protegendo os inocentes e os indefesos"

O militar português foi transportado num "Falcon da Força Aérea", que tinha partido esta manhã da República Centro-Africana, tendo aterrado por volta das 14:00 horas em Portugal. 

Sobre o estado de saúde, o porta-voz do CEMGFA já tinha indicado que o militar não corria risco de vida, mas o seu estado era grave e estável.

O acidente aconteceu enquanto realizavam um trajeto logístico junto à região de Bouar, situada a 350 quilómetros (km) a noroeste da capital do país, quando ocorreu o despiste e capotamento de uma das viaturas táticas ligeiras blindadas HMMWV, vulgarmente conhecidas por “Humvee”.

A nota referia que, até ao momento, as causas do acidente eram desconhecidas, mas que “a forte precipitação que assola a região, bem como o estado altamente precário da rede viária, poderão ter contribuído para o despiste”.

O conflito neste país, com o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

O Governo controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA), cujo 2.º comandante é o major-general do Exército Marco Serronha.

Portugal integra a MINUSCA, com a 5.ª Força Nacional Destacada (FND), e lidera a Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA), que é comandada pelo brigadeiro-general Hermínio Teodoro Maio.