Mário Machado e mais quatro detidos, esta quarta-feira, são suspeitos dos crimes de associação criminosa, usurpação de funções, extorsão, homicídio na forma tentada e rapto, disse esta quinta-feira à Lusa o advogado de defesa do líder nacionalista.

Agressão a tiro motiva detenção de Mário Machado

O advogado de defesa do nacionalista «skinhead», José Manuel Castro, acrescentou que são essas suspeitas que «constam nos autos em relação aos factos imputados em abstracto aos arguidos» e que levaram à «detenção dos cinco homens».

O representante legal negou, no entanto, o envolvimento do seu cliente nos referidos alegados crimes, considerando que as únicas apreensões efectuadas durante a busca domiciliária pela autoridades foram um computador portátil e o carro da mãe de Mário Machado.

Explicou, também, que «não foram encontradas armas, fardas da polícia ou qualquer outro objecto proíbido» e que a suspeita do crime de tentativa de homicídio não tem qualquer fundamento uma vez que «o próprio visado desmente».

«Caso estranho»

«O próprio indivíduo que foi alegadamente alvejado» na perna, e que pertence ao clube mottard «Hells Angels», afirma que o líder do movimento nacionalista não está envolvido, afirmou o advogado de defesa.

O advogado classifica de «caso estranho» o «timing e a coincidência da detenção» do seu cliente, que ocorreu após a publicação no sítio do Fórum Nacional, considerado de extrema-direita, de documentos bancários relacionados com familiares do primeiro-ministro, José Sócrates.

José Manuel Castro afirmou ainda que «não existe qualquer relacionamento entre os cinco arguidos», porque os restantes quatro «não são skins».

Presentes ao juiz

O líder nacionalista Mário Machado e os restantes detidos foram conduzidos esta manhã, sob escolta policial, ao Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), na Boa Hora, em Lisboa, mas só esta tarde serão interrogados.

Os detidos serão presentes ao juiz Carlos Alexandre para primeiro interrogatório, após detenção na passada quarta-feira e buscas domiciliárias pelas autoridades, nomeadamente a Polícia Judiciária.

O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) anunciou na quarta-feira que Mário Machado foi detido no âmbito de uma investigação em curso naquela estrutura do Ministério Público.

A informação prestada pelo DCIAP não referia qual o objecto da investigação, dizendo apenas que Mário Machado seria presente ao juiz do TCIC, Carlos Alexandre.

Mário Machado vai responder a processo

Mário Machado, membro da organização considerada de extrema-direita Hammerskins, foi detido quarta-feira, em casa da mãe, em Odivelas, segundo o advogado José Manuel Castro.

À margem deste caso, Mário Machado deverá comparecer em tribunal no próximo dia 5 de Maio para responder num processo relacionado com ameaças à procuradora do Ministério Público Cândida Vilar.

Cândida Vilar conduziu a investigação que levou Mário Machado, julgado com 35 outros «skinheads», a responder num processo relacionado com discriminação racial e em que foi condenado, em Outubro passado, a quatro anos e dez meses de prisão efectiva, decisão de que recorreu.
Redação / TG