Um plano conjunto da associação de estudantes e da direção da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) permitiu reunir “informação útil” à investigação do Ministério Público sobre alegada xenofobia e racismo na instituição, revelaram esta terça-feira os alunos.

Alguns estudantes da FEUP foram alvo de ataques xenófobos em páginas de redes sociais (anónimas) criadas unicamente com esse intuito. Os casos foram devidamente identificados e, desde logo, foi delineado um plano conjunto, entre a Associação de Estudantes da FEUP e a própria direção da Faculdade, de forma a dar a melhor resposta possível a estas situações”, lê-se num comunicado assinado por José Araújo, presidente da Associação de Estudantes da FEUP.

O responsável acrescenta que, em conjunto, foi criado “um portefólio” onde se reuniu “toda a informação útil para investigação”, sublinhando que, “uma vez que o teor dos eventos já transcendia” ambas as entidades, “o caso foi prontamente entregue às autoridades competentes - o Ministério Público (MP)”.

No domingo, a Universidade do Porto (U.Porto) confirmou à agência Lusa ter participado ao MP alegados atos de xenofobia e de racismo por parte de alunos e de professores, nas faculdades de Engenharia e de Letras, denunciados por um movimento de estudantes.

Por a discriminação xenófoba ser matéria de foro criminal participámos esses factos ao Ministério Público a 30 de outubro”, referiu, nesse dia, fonte da U.Porto.

Já a Procuradoria-Geral da República (PGR) adiantou à Lusa que “os factos em referência são objeto de investigação pelo Ministério Público do DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] do Porto”.

Em outubro, a dirigente do movimento Quarentena Académica, Ana Isabel Silva, revelou ter recebido denúncias de estudantes estrangeiros, principalmente de nacionalidade brasileira, de "atos de xenofobia e de racismo" supostamente praticados por estudantes e por professores, designadamente das faculdades de Engenharia e de Letras, sobretudo nas redes sociais.

Ana Isabel Silva acrescentou, nessa ocasião, que, inicialmente, os próprios estudantes brasileiros denunciaram a situação junto da reitoria.

Foi-lhes dito pela reitoria que a universidade não tolerava esses comportamentos”, mencionou Ana Isabel Silva, observando que estes atos se tinham vindo a registar desde o início deste ano letivo, mas que aumentaram com a pandemia, nas redes sociais.

Nessa ocasião, a universidade apelou a todos os estudantes que denunciassem e apresentassem queixa dos atos que conhecessem “para eventual abertura de processos disciplinares aos agressores”.

No comunicado hoje divulgado, a Associação de Estudantes da FEUP, refere que, desde então, emitiu, em conjunto com a direção da faculdade, uma circular interna para toda a comunidade escolar, e produziu dois vídeos, para além de uma linha para denúncia de casos.

O primeiro, lançado a 1 de novembro de 2020, onde nos posicionamos de novo em relação a estes acontecimentos e anunciamos a criação de uma linha segura para a denúncia de casos homólogos. O segundo vídeo, lançado 3 dias depois, em conjunto com as direções dos vários núcleos e grupos da FEUP, onde apelamos à colaboração, diversidade, igualdade, entre outros valores, que devem caracterizar a nossa comunidade”, relata o comunicado.

Além disso, segundo José Araújo, foi organizado “um ciclo de seminários em colaboração com a FEUP”, onde são abordados “tópicos como Xenofobia, Racismo, Igualdade de Género, entre outros”, para os quais convidaram “estudantes e figuras de interesse”, e “criaram consciência para estes temas através do diálogo aberto”.

/ AG