O Movimento Zero concentrou esta terça-feira de manhã cerca de 100 manifestantes junto ao Aeroporto de Lisboa, num protesto silencioso que ainda decorre e cuja única voz que se ouviu foi a de um dos fundadores do sindicalismo em Portugal.

No Porto, em Faro e no Funchal, a vigília não está a ter tanta adesão.

Em declarações aos jornalistas em Lisboa, António Ramos, antigo presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia, apontou os baixos ordenados da PSP, “que estão próximos do salário mínimo nacional”, o corte nas reformas ou a “falta de agentes nas esquadras”, como alguns dos motivos que levam a mais um protesto da polícia.

Às 10:00, hora marcada para o início da vigília nos aeroportos portugueses, havia cerca de 10 elementos que fazem parte do Movimento Zero, embora sem estarem identificados como tal, um número que foi crescendo com o passar do tempo.

Cerca de uma hora depois, havia já cerca de meia centena de elementos do lado de fora do Aeroporto Humberto Delgado, que se mantiveram sempre em silêncio e recusaram prestar declarações aos jornalistas.

 

António Ramos, um dos fundadores do sindicalismo no país, disse em declaração aos meios de comunicação que “as pessoas não querem dar a cara por causa de processos disciplinares”.

Sobre o facto de os protestos agendados para esta terça-feira acontecerem numa altura em que estão a decorrer as negociações com o Governo, o dirigente sindical considerou que estas são apenas “uma manobra de distração”.

 
António Ramos aproveitou a vigília para criticar a nova lei sindical, classificando-a de “um aborto” por retirar alguns direitos conseguidos ao longo de duas décadas de luta.
 

Devido à vigília promovida pelo Movimento Zero, um movimento social inorgânico criado em maio de 2019 por elementos da PSP e da GNR, nota-se um reforço policial no Aeroporto de Lisboa.

No aeroporto de Faro, o protesto do Movimento Zero reunia às 11:00 aproximadamente 20 pessoas, que se concentravam junto às partidas da aerogare, sem ostentarem cartazes ou as camisolas brancas que identificam o movimento.

Nas entradas do aeroporto era visível um reforço policial devido à concentração, estando também presentes elementos da Unidade Especial de Polícia da PSP.

Nenhum dos elementos presentes no protesto, que começaram, lentamente, a concentrar-se a partir das 10:00, quis prestar declarações aos jornalistas, embora alguns tenham confirmado que integram a vigília.

Já na Madeira, no aeroporto do Funchal não houve qualquer vigília assim como no Aeroporto de São Miguel, em Ponta Delgada.

Dezenas esperaram Costa no Aeroporto do Porto 

Dezenas de pessoas envergaram 't-shirts' do Movimento Zero (MO) durante chegada do primeiro-ministro, António Costa, à zona VIP do Aeroporto Sá Carneiro, no Porto.

Entoaram um grande coro de assobios e pronunciaram a palavra de ordem "zero".

O primeiro-ministro deslocou-se ao Porto de avião para participar, hoje à tarde, na cerimónia de assinatura de contratos para aquisição de novas composições para o metro da cidade.

Os presentes, convocados pelo M0 através das redes sociais, começaram por se concentrar na zona de partidas do aeroporto cerca das 10:00, mas só três horas depois convergiram para a zona VIP envergando as 't-shirts' identificativas do movimento.

Um forte dispositivo policial foi deslocado para a zona, mas não houve qualquer intervenção.

Os manifestantes foram mantidos a cerca de 100 metros do local onde se encontrava o carro à espera do primeiro-ministro, que seguiu viagem sem qualquer contacto com grupo do M0.

Estava previsto que os aderentes à iniciativa também se envolvessem na distribuição de brinquedos e alimentos, mas tal não se verificava cerca das 13:00.

/ HCL