O bispo da Diocese de Leiria-Fátima, cardeal António Marto, disse esta quarta-feira não ser aceitável que a distribuição de vacinas contra a covid-19 se transforme numa arma geopolítica.

A imunização extensiva deveria considerar-se um bem comum universal e, por isso, a distribuição das vacinas não pode obedecer a outro critério que não seja o de saúde pública. Não é aceitável, nem compreensível que se transforme numa arma geopolítica”, afirmou António Marto na conferência de imprensa que antecede a peregrinação internacional de maio ao Santuário de Fátima, que hoje começa.

António Marto congratulou-se ainda com o facto de se caminhar “a passos largos para a imunidade de grupo”.

Parece que, finalmente, podemos ver uma luz ao fundo do túnel, mas todo o cuidado é pouco”, avisou, considerando que “a pandemia ainda não passou e é preciso prosseguir a vacinação”.

Para o bispo de Leiria-Fátima, “todos devem ter acesso à vacina em Portugal, na Europa e no mundo”.

António Marto abordou também a crise económica e social decorrente da pandemia, considerando que exige “uma atenção própria, sobretudo com respeito pela dignidade das pessoas e, por conseguinte, também, pelo direito ao trabalho e ao trabalho digno”.

O cardeal citou depois o papa Francisco, dizendo que “enquanto a economia real que cria emprego está em crise - quantas pessoas estão sem trabalho -, os mercados financeiros nunca estiveram tão excessivamente aumentados como agora”.

Repetindo as palavras de Francisco, António Marto referiu ainda que “as finanças, se não forem regulamentadas, tornam-se pura especulação animada por políticas monetárias”, situação que é insustentável e perigosa, mas que ainda há tempo de iniciar um processo de mudança global para “colocar em prática uma economia diferente, mais justa, inclusiva, sustentável”.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.319.512 mortos no mundo, resultantes de mais de 159,5 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.998 pessoas dos 840.493 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A peregrinação internacional de maio ao Santuário de Fátima, que hoje começa, é presidida pelo cardeal José Tolentino Mendonça, bibliotecário e arquivista do Vaticano.

A peregrinação, 104 anos depois dos acontecimentos na Cova da Iria, começa às 21:30 com a recitação do terço, seguida da procissão das velas e celebração da palavra.

Na quinta-feira, às 09:00 é recitado o terço, realizando-se depois a missa, que inclui uma palavra dirigida aos doentes, com as celebrações a terminarem com a procissão do adeus.

As celebrações deste 12 e 13 de maio têm um limite de 7.500 pessoas, um ano depois de, pela primeira vez na história do templo, as celebrações terem decorrido sem fiéis devido à pandemia de covid-19.

/ MJC