A Polícia de Segurança Pública (PSP) confirmou à TVI24 que está analisar as imagens de videovigilância para tentar identificar os adeptos que insultaram o jogador do FC Porto, Moussa Marega, no jogo frente ao Vitória de Guimarães no domingo, por terem cometido infrações criminais e contraordenacionais.

Não obstante não ter sido possível proceder no recinto a qualquer identificação ou detenção, em face da moldura humana e concentração de pessoas, a PSP, dentro do quadro legal indicado, está a fazer as diligências necessárias para identificar os suspeitos que cometeram as infrações criminais e contraordenacionais, levando-os perante as entidades judiciais e administrativas competentes", lê-se no comunicado da PSP enviado às redações.

A PSP referiu ainda que este tipo de comportamentos racistas e xenófobos configuram "um crime previsto e punido no Código Penal", punível com uma pena de prisão de 6 meses a 5 anos, ou com uma coima entre 1.000 e 10.000 euros.

Sobre as ocorrência em eventos desportivos, a PSP apela a todos os apoiantes dos clubes que mantenham "uma conduta de respeito para com os adversários" e reitera o compromisso em cumprir a sua missão nas diversas manifestações desportivas, procurando contribuir para a criação de "um ambiente mais seguro e saudável, livre de qualquer forma de violência física ou verbal, racismo ou xenofobia".

O avançado dos dragões pediu para ser substituído, ao minuto 71 do jogo da 21.ª jornada da I Liga, entre o FC Porto e o Vitória de Guimarães, por ter ouvido cânticos e gritos racistas de adeptos da formação vimaranense, numa altura em que o FC Porto vencia por 2-1, resultado com que terminaria o encontro.

Jogadores do FC Porto e também do Vitória de Guimarães tentaram demovê-lo, mas Marega mostrou-se irredutível na decisão de abandonar o jogo.

O primeiro-ministro manifestou esta segunda-feira "total solidariedade" com o "grande cidadão" e jogador e salientou que todos os atos de racismo são crime e intoleráveis. Marcelo Rebelo de Sousa condenou os insultos racistas e disse que "o caminho do racismo, da xenofobia, e da discriminação representa a violação da dignidade".

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, exigiu medidas de prevenção e de repressão contra criminosos nos estádios.

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, condena com indignação os ataques racistas de que foi vítima ontem [domingo] em Guimarães o jogador do Futebol Clube do Porto Marega. As autoridades do Estado, a Federação Portuguesa de Futebol e os clubes têm de, em conjunto, tomar medidas de prevenção e repressão dos criminosos que se introduzem nas claques e nos estádios", salienta-se na nota da Assembleia da República enviada à agência Lusa.

João Paulo Rebelo, secretário de Estado da Juventude e Desporto, também veio a público lamentar o incidente.

O Bloco de Esquerda (BE),em comunicado, dirigiu algumas perguntas ao Ministério da Educação, mais concretamente à secretaria de Estado do Desporto e da Juventude, para saber que medidas vai o Governo tomar na sequência deste incidente

O partido questionou ainda o Executivo no sentido de saber se “tem conhecimento de outros casos idênticos de racismo no desporto que, pelo facto de não terem sido tão noticiados, não são do conhecimento público”.

O Partido Socialista (PS) salientou que estes atos atentam contra a Constituição e devem ter consequências.

Cláudia Lima da Costa / Notícia atualizada às 12:06