A Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, só tem um anestesista a trabalhar este Natal, confirmou a TVI24 junto de fonte daquela unidade. Esta situação faz com que as utentes urgentes que necessitem de anestesia sejam desviadas para outros serviços hospitalares.

A TVI24 sabe que já foi pedido ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes que não encaminhe grávidas para aquela unidade hospitalar pelo menos nos próximos dois dias. Caso surja alguma situação urgente, poderá ser desviado um anestesista do S. José, que pertence ao mesmogrupo hospitalar, para a MAC. No limite, uma grávida pode ser transferida da MAC para o S. José.

Entretanto, à Lusa, fonte oficial do Centro Hospital de Lisboa Central, que integra esta maternidade, deu a indicação que há 17 mulheres que se encontram internadas, deixando a garantia de que caso entrem em trabalho de parto, serão assistidas.

Se for uma mulher cujo parto não seja iminente, que esteja ainda muito no início, será, sim, transferida para outra unidade. A MAC funciona em rede no âmbito do SNS. Noutras alturas, outros hospitais reencaminham doentes para nós".

De resto, a TVI24 constatou, no local, que a maternidade está a funcionar com normalidade e que a urgência se mantém aberta, até porque há episódios clínicos urgentes que não necessitam de anestesia. O movimento era pouco até à hora do almoço.

Como a MAC tem apenas um anestesista de serviço, deverá estar apenas disponível para as utentes que estão internadas naquele serviço e não para a urgência.

O Presidente da República acompanha o caso da falta de anestesistas na Maternidade Alfredo da Costa e reagiu. Marcelo Rebelo de Sousa diz que na terça-feira vai estar com a ministra da Saúde e o tema estará em cima da mesa.

"Défice de anestesistas é situação inédita"

A situação explica-se pela falta de profissionais que se agrava no Natal e em período de férias. É uma situação recorrente nesta maternidade, a gestão é feita no dia-a-dia. Porém, a diretora de serviço diz que a "o défice de anestesistas" é uma situação inédita. 

Há escassez de recursos humanos, nomeadamente, muito sentidos ao nível da anestesia. Obviamente não é uma situação desejável, nunca tinha acontecido desta forma, mas o que é facto é que, felizmente, no Serviço Nacional de Saúde funcionamos em rede e as grávidas podem estar tranquilas que será assegurado o atendimento e o internamento noutros hospitais”, afirmou Clara Soares à RTP.

Ocorreram sete partos na MAC entre as 00:00 e as 14:00 de hoje, disse à Lusa fonte oficial do Centro Hospitalar de Lisboa Central, que integra a maternidade.

A diretora das Urgências da MAC assume que, com um único anestesista de serviço hoje e na terça-feira, há “um défice de anestesistas”, o que condiciona todas as atitudes ao “nível de intervenções às grávidas”.“Não podemos manter a atividade assistencial normal numa época em que apenas existe um anestesista”. De acordo com a responsável, a situação não se repetirá na passagem de ano.

No final do ano temos as escalas completamente asseguradas, portanto, é uma situação que ocorre dia 24 e dia 25”.

Clara Soares apelou ainda à tranquilidade das grávidas, pois poderão ser reencaminhadas para outros hospitais.

No último verão, em julho, chefes dos serviços de Ginecologia e Obstetrícia demitiram-se, denunciando exaustão dos profissionais, enquanto a administração da maternidade lisboeta garantia que a situação estava ultrapassada.

Nessa altura, por falta de profissionais, foram encerradas salas de parto. Chegou a registar-se a transferência de grávidas a meio de trabalho de parto para outras maternidades.

Raquel Matos Cruz Filipa Serejo / com VC e Lusa