A Câmara de Lisboa arrecadou esta quarta-feira mais 85,5 milhões do que estimava no leilão dos terrenos de Entrecampos, dinheiro que será investido em habitação a custos acessíveis, segundo declarou o presidente, Fernando Medina (PS).

O resultado desta hasta hoje, ao ter superado as nossas expectativas, vai fazer com que nós tomemos desde já uma decisão, a decisão de promovermos uma alteração ao orçamento do município, para que a receita a mais que hoje o município consegue seja integralmente afeta à habitação para as classes médias”, disse o presidente do executivo municipal.

Medina explicou que a câmara quer que a “receita seja aplicada na construção de habitação para as classes médias, para os jovens, para as famílias trabalhadoras, com filhos, que têm hoje dificuldade em encontrar essa casa”, e com rendas “que verdadeiramente as pessoas podem pagar”.

"Felicidade para toda a equipa"

Numa declaração aos jornalistas no final da hasta pública dos terrenos da antiga Feira Popular de Lisboa e de uma parcela na Avenida Álvaro Pais, Fernando Medina assinalou que este “é um dia de grande importância para a cidade de Lisboa e também um dia de felicidade para toda a equipa”.

Hoje, com esta hasta pública, nós conseguimos resolver um problema que, há mais de 15 anos, afligia a cidade de Lisboa, que era todo o desenvolvimento da zona de Entrecampos”, destacou.

A Fidelidade Property Europe, SA. comprou hoje à Câmara de Lisboa todos os terrenos que integravam a hasta pública de Entrecampos, por um total de cerca de 274 milhões de euros, sendo que os dois lotes e uma parcela de terreno que acolheram a antiga Feira Popular de Lisboa foram vendidos por 238,5 milhões de euros.

A Câmara de Lisboa esperava arrecadar 188,4 milhões com esta hasta pública, pelo que arrecadou mais 85,5 milhões do que o esperado.

"Mais de 300 milhões" 

O presidente da câmara apontou que, verdadeiramente, o município vai encaixar “mais de 300 milhões de euros” com esta venda, dado que é preciso ter em conta impostos e taxas que serão pagos posteriormente.

A hasta pública, que durou cerca de duas horas e meia, foi hoje retomada depois de ter sido aberta no dia 23 de novembro.

Após sucessivos adiamentos motivados por questões levantadas pelo Ministério Público, esta foi a quarta vez que a Câmara de Lisboa tentou vender os terrenos este ano. O município também já tinha tentado prosseguir com o leilão em 2015, mas deparou-se com a falta de interessados.

Este leilão constituiu o arranque da chamada Operação Integrada de Entrecampos, que prevê a construção de 700 fogos de habitação de renda acessível naquela zona da capital (515 construídos pelo município) e de um parque de estacionamento público na Avenida 5 de Outubro. A operação está orçada em 800 milhões de euros, dos quais 100 milhões serão responsabilidade do município.

Nos terrenos da antiga Feira Popular vão nascer mais 279 habitações, que serão colocadas em regime de venda livre, e escritórios, que a autarquia prevê que levem à criação de 15 mil novos empregos.

Aos jornalistas, Medina alegou também que processo “decorreu de forma exemplar, com transparência, com publicidade, com divulgação e com verdadeira concorrência”.

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