O presidente do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Fernando Regateiro, realçou esta segunda-feira a importância do Hospital dos Covões para acolher “funções assistenciais relevantes” e negou o seu alegado esvaziamento.

“Não há qualquer intenção do conselho de administração deixar de o utilizar para nele localizar funções assistenciais relevantes, à luz da resposta global que o CHUC tem o dever de organizar para a procura atualmente registada e que preveja para o futuro”, afirma Fernando Regateiro numa nota enviada à agência Lusa.

No documento, o presidente do CHUC reage a um comunicado no qual o PS de Coimbra apela ao Governo para tomar posição pública sobre o futuro do Hospital Geral fundado por Bissaya Barreto, mais conhecido por Hospital dos Covões, e evitar um “desmantelamento silencioso” pelo qual responsabiliza a equipa de Fernando Regateiro.

Também o BE de Coimbra alertou para a inexistência de um “plano de reconfiguração” do CHUC e criticou as “medidas casuísticas” para o complexo hospitalar dos Covões, alegando que, “dentro de uma orientação inconfessada”, elas visam transformar a unidade “em qualquer coisa que (…) ninguém conhece”.

“O que determina a relevância de uma resposta assistencial é a necessidade sentida pelo doente concreto que dela carece e que vê o seu problema bem resolvido e não por se incluir numa determinada área de especialidade ou patamar de diferenciação”, refere Regateiro.

Por isso, defende, “a tipologia de funções assistenciais e respostas a sediar nos espaços confiados ao CHUC pelo Estado, para assegurar a sua atividade, serão as que melhor se adequarem, em cada momento, às necessidades dos doentes e ao melhor potencial de eficácia e de eficiência que a localização e estrutura física dos espaços em causa possam suportar”.

“Foi este o posicionamento assumido sem reservas (...) com a localização de grande parte da resposta do CHUC à pandemia de SRAS-CoV-2 no Hospital Geral”, esclarece.

Para o mesmo responsável, “não é correta a informação que subjaz ao comunicado” do PS de Coimbra, liderado por Carlos Cidade, vice-presidente da Câmara Municipal, e “também não são corretas as ilações expandidas”.

O catedrático de Medicina afirma que o órgão a que preside “teria tido muito gosto em prestar toda a informação que lhe tivesse sido solicitada, para uma avaliação rigorosa das situações equacionadas”, relativamente ao polo dos Covões, “encerrado em março para toda a atividade não covid e dedicado exclusivamente a patologia covid-19 ou doentes suspeitos”.

“Na semana passada, já se realizaram consultas presenciais no Hospital Geral e foi analisada a definição de um corredor seguro para permitir o acesso de doentes do ambulatório para realização de exames invasivos e não invasivos na cardiologia”, também nos Covões, exemplifica, ao descrever as várias alterações introduzidas nos diferentes serviços do CHUC ao abrigo do plano de contingência.

Nos Covões, “manteve-se atividade não covid nos edifícios periféricos”, informa.

“Com a retoma da atividade assistencial, o conselho de administração do CHUC já decidiu iniciar alguma atividade não covid no edifício central do Hospital dos Covões, com a abertura, a 18 de maio, da unidade de cirurgia de ambulatório para doentes que não necessitem de pernoita”, acrescenta.

Entretanto, “também já está planeada a reabertura de outras atividades no edifício central do Hospital Geral, respeitando circuitos de circulação separados” e, acautelando as condições de segurança, “serão reativadas outras funcionalidades não covid” nos Covões.

“Uma parte deste hospital irá continuar reservada para atividade de referência da covid, enquanto houver pandemia e na dimensão e tipologia de resposta que for sendo identificada como necessária”, esclarece ainda Fernando Regateiro, frisando que se trata da “regra geral seguida no CHUC, para a generalidade dos espaços físicos que lhe estão confiados, e não algo de específico para o Hospital Geral".

Sobre a futura maternidade de Coimbra, “o processo, devidamente suportado e informado tecnicamente por entidades externas ao CHUC, foi encaminhado para a tutela para decisão”.

“O atual conselho de administração do CHUC cumpriu as tarefas que, neste âmbito, lhe foram confiadas”, acentua a nota.

PS de Coimbra quer que o Governo trave “desmantelamento silencioso”

O PS de Coimbra apelou ao Ministério da Saúde para salvar o Hospital dos Covões de um “desmantelamento silencioso”, pelo qual responsabiliza a administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Em comunicado, a concelhia do PS “apela veementemente” ao Ministério liderado por Marta Temido para tomar “uma decisão que defenda o Hospital dos Covões como hospital de referência, impedindo também a tentativa de descredibilizar a nova maternidade” de Coimbra.

“Foi com enorme surpresa que tomámos conhecimento de que a administração do CHUC decidiu encerrar o Serviço de Cardiologia do Hospital dos Covões e o seu Laboratório de Hemodinâmica (de grande qualidade e apoio importante aos doentes do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica e do Serviço de Cirurgia Vascular dos Hospitais da Universidade de Coimbra), além do anúncio público, ainda não concretizado, da transferência do Serviço de Pneumologia do [também designado] Hospital Geral para os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC)”, afirma.

Na nota, o líder concelhio do PS, Carlos Cidade, que é também vice-presidente da Câmara, refere que, “paralelamente, arrasta-se a (não) decisão de construção da nova maternidade para Coimbra, quando é manifesta a viabilidade técnica e a prioridade para a cidade relativa à construção da maternidade no Hospital dos Covões”.

“Temos vindo a observar com preocupação o comportamento errático (…) com certeza do presidente do conselho de administração do CHUC [Fernando Regateiro], no que ao Hospital dos Covões diz respeito”, enfatiza.

O PS local recorda que “sempre defendeu o interesse das populações e utentes, tanto no que às urgências diz respeito como nas questões relacionadas com a localização da maternidade e outros serviços” nos Covões, a sul do rio Mondego.

“Face à grave pandemia que nos afeta, o Hospital dos Covões [que integra o CHUC] foi designado hospital de referência para a covid-19, com todas as valências (…) para o tratamento dessa doença complexa e grave em muitos casos, sendo fundamental para Coimbra, para a região Centro e para o país”, adianta.

Para o PS, “as infraestruturas e os serviços localizados nos Covões foram e são essenciais para este combate e transformaram-se num exemplo nacional de tratamento e acompanhamento dos casos mais críticos da covid-19” na região.

“Seria de prever algum pudor de circunstância por parte da administração dos CHUC em termos de medidas cirúrgicas de desmantelamento do Hospital dos Covões, por obrigatoriedade moral de estarmos a necessitar do máximo respeito e investimento pelos profissionais de saúde e pelo próprio Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, segundo a nota.

O PS e Carlos Cidade rejeitam “medidas de destruição secreta” do Hospital dos Covões, realçando o seu papel face à pandemia, com serviços que “serão mais-valia para a nova maternidade” no local.

“Esta “política de sombra” é claramente contrária aos desejos e necessidades das populações e é ainda uma medida sem qualquer fundamento científico do que poderá beneficiar os CHUC, a cidade e região de Coimbra e o próprio SNS com um autêntico desmantelamento silencioso”, critica.

O partido demarca-se ainda de “quaisquer interesses inconfessados que possam estar do detrás de decisões feitas avulso ou à medida de interesses até agora não explicados”.

“A falta de sensibilidade política e social de quem toma estas medidas ao nível superior do CHUC já não nos surpreende, mas não se compreende o silêncio das entidades administrativas regionais de saúde”, conclui.

BE de Coimbra questiona “medidas casuísticas” no Hospital dos Covões

O Bloco de Esquerda alertou hoje para a inexistência de um “plano de reconfiguração” do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e criticou “medidas casuísticas” em relação ao futuro do Hospital dos Covões.

“O BE denuncia este ambiente de navegação à vista (ou não?), em que o ambiente de indefinição oficial e de ausência dum plano de reconfiguração do CHUC tem servido para medidas casuísticas do conselho de administração do CHUC e do seu presidente”, afirma em comunicado a Comissão Coordenadora Concelhia do partido.

Essas medidas, “dentro de uma orientação inconfessada”, visam “desmantelar o Hospital dos Covões e transformá-lo em qualquer coisa que, tirando eles, ninguém conhece”, refere.

“Das notícias do mal disfarçado e progressivo desmantelamento do Hospital dos Covões, aos desmentidos oficiais do conselho de administração do CHUC [presidido por Fernando Regateiro], passando pelo silêncio dos responsáveis da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro e pela garantia ministerial, há já bastantes meses, de que a solução da rede hospitalar central de Coimbra decorrerá dum plano sustentado por estudos técnicos, tudo isto temos lido e ouvido”, acrescenta.

O BE realça que, “na linha do consumado encerramento, há alguns meses, do Serviço de Pneumologia, em linha, aliás, com os tantos serviços e valências já encerrados nos últimos dez anos”, o órgão liderado por Fernando Regateiro vai encerrar o serviço de Cardiologia dos Covões, bem como o seu Laboratório de Hemodinâmica.

“Este encerramento ocorre na sequência do período de pandemia em que a assistência aos doentes da covid-19 tem sido desenvolvida no Hospital dos Covões, que dispõe, reconhecidamente, de todas as respostas clínicas consideradas necessárias para esta missão”, sublinha a nota.

Para a estrutura concelhia bloquista, “trata-se de uma estratégia que já vem de longe, que visa concentrar, até ao limite do concebível, todos os serviços clínicos de primeira linha no mais que saturado polo de Celas” do CHUC.

O Bloco de Esquerda “exige o cabal e público esclarecimento deste assunto pelas entidades responsáveis, rejeita o desmantelamento progressivo a que o Hospital dos Covões tem estado sujeito” e manifesta solidariedade aos seus profissionais e à “população que tem sido muito bem atendida”, frisando a necessidade de “revalorização desta unidade hospitalar, a bem de um Serviço Nacional de Saúde mais universal e mais eficiente”.

/ AM