A atividade do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) está hoje parada no subsetor da alimentação e reduzida a 20% nos demais em consequência do primeiro de dois dias de greve naquela estrutura, disse fonte sindical.

“Registamos 100% de adesão nas cantinas e bares (alimentação), em todos os hospitais, e 80% nas lavandarias, resíduos, manutenção e demais serviços de apoio prestados pelo SUCH”, afirmou Francisco Figueiredo, dirigente Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT), num primeiro balanço da paralisação.

Falando aos jornalistas frente ao Hospital de São João, no Porto, o dirigente da estrutura sindical que convocou a greve sublinhou que “não havia outra alternativa" se não recorrer à paralisação face à “postura de afrontamento do SUCH aos sindicatos e aos trabalhadores” que, “na prática e sem o dizer diretamente, rompeu as negociações, ao não apresentar qualquer contraproposta e ao recusar qualquer proposta sindical que representasse custos”.

“Claro que qualquer proposta representava encargos. O que estávamos a fazer na mesa negocial se o SUCH recusava qualquer proposta”?, interrogou-se o dirigente sindical.

Fonte oficial do SUCH tinha afiançado que os representantes sindicais é que entenderam “abandonar as negociações" e convocar a greve de dois dias. Ainda assim, a administração diz manter uma posição "de abertura e diálogo".

A paralisação, iniciada às 00:00 de hoje e a terminar às 24:00 de sexta-feira, surge em apoio de um acordo de empresa para 2020.

A FESAHT reivindica aumentos salariais de 90 euros para todos os trabalhadores, com efeitos a janeiro de 2020, sublinhando que "a esmagadora maioria deles recebe apenas o salário mínimo nacional”.

Reclama também a redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais, pagamento do subsídio de risco de 7%, remuneração do trabalho prestado ao sábado e domingo com um acréscimo de um euro por cada hora prestada, entre outros.

Noutro âmbito, a FESAH pede mudanças nas condições de laboração, que “continuam horríveis e violentas para estes trabalhadores” devido à falta de pessoal, às “condições obsoletas” dos equipamentos e instalações, bem como à “ausência de proteção devida dos trabalhadores e testes de despistagem da covid-19”.

Os 3.500 trabalhadores do SUCH prestam serviços comuns aos hospitais integrados no Serviço Nacional de Saúde, designadamente nas áreas da Engenharia, Gestão de Ambiente Hospitalar, Gestão Alimentar e Gestão de Serviços de Transporte e de Parques de Estacionamento.

/ AM - notícia atualizada às 11:32