A polémica em torno dos ajuntamentos e dos confrontos causados pelos festejos da conquista do título do Sporting e o “passa culpas” que se seguiu ainda dão que falar. Rui Moreira criticou o abuso das liberdades individuais contra as liberdades coletivas" e a falta de civismo demonstrada pelos adeptos durante os festejo que se seguiram à conquista.

O comentador da TVI explicou que a responsabilidade daquilo que se passou devia ser “repartida por muita gente” e que as autoridades deveriam ter feito mais para evitar a situação. Sobre quais as medidas, o autarca sublinhou a importância da criação de um cordão de segurança em redor do estádio.

“Numa situação destas, aquilo que se esperaria seria que os adeptos ficassem em casa. Quem organiza os eventos não organize nada incite os adeptos aproximarem-se do estádio. Havia necessidade de criar um cordão de segurança e nada disso foi feito”, afirmou.

A ausência destas medidas, criaram os “condimentos necessários” para que tudo corresse mal, destacando que a atitude dos adeptos demonstrou “um abuso das liberdades individuais contra as liberdades coletivas”.

O autarca disse ainda não compreender o porquê de não se poder ter público nos estádios, considerando que, tendo em conta aquilo que se viu em Alvalade, era preferivel ter dez mil adeptos com medidas de segurança no interior do estádio.

“Quem viu as imagens de Alvalade, compreende a estupidez da proibição do público nos estádios", sublinhou.

Comparou ainda a situação com a organização da peregrinação de Fátima, que foi rigidamente controlada e recordou que muitas casas de espetáculos e lojas que estão restritos por um conjunto de medidas impostas para combater a pandemia, agora lançadas “a perder” por um “fenómeno desportivo”.

Acima de tudo é uma falta de civismo”, reforçou o autarca.

A PSP emitiu um parecer negativo à realização da festa da claque do Sporting, mas a Câmara Municipal de Lisboa diz não ter recebido o documento. Para Rui Moreira, quando as coisas correm mal, é “muito fácil empurrar as responsabilidades de um lado para o outro” e recordou o que fez na cidade do Porto, mediando as negociações com o FC Porto e a sua claque, no ano em que se sagrou campeão e em que Portugal já lutava contra a pandemia.

Em cima da mesa um dos temas que mais marcou a semana: a audição parlamentar de Luís Filipe Vieira sobre as dívidas ao Novo Banco. Rui Moreira quis distanciar-se do presidente do Benfica, que considera ter sido a face mais visível devido ao cargo que ocupa. No entanto, apontou o dedo aos empréstimos milionários feitos por várias pessoas para “comprar ações de empresas” e que, caso ganhassem tornavam-se milionários, caso perdessem “fica o banco a arder”.

Fica também aqui uma culpa na sociedade, que vai pagar isto muito caro. Nunca fomos capazes de criar, nesta nossa democracia, instrumentos reguladores desses grupos suficientemente autónomos”, destacou.

Os hospitais em parceria público-privada (PPP) de Cascais, Vila Franca de Xira, Braga e Loures pouparam dinheiro ao Estado entre 2014 e 2019, concluiu o Tribunal de Contas, na sequência de quatro auditorias, cujo relatório foi esta sexta-feira divulgado.