Os pais estão a valorizar mais o trabalho dos professores desde a pandemia de covid-19 e do confinamento, indicou um inquérito com mais de 23 mil respostas de encarregados de educação.

Nas resposta, os pais deram uma nota de 4,5 valores aos docentes.

Depois de vários meses confinados, os pais começaram a valorizar mais os professores e reconheceram o esforço que os docentes fizeram para se ajustar ao ensino à distância, revelou o estudo “O papel da escola e dos Educadores”, a que a Lusa teve acesso.

Estes são resultados do inquérito, realizado entre junho e julho, a milhares de pais que participaram no estudo desenvolvido pela Iniciativa Escola Amiga da Criança em parceria com a Porto Business School da Universidade Católica do Porto e a Faculdade de Psicologia da Universidade Católica do Porto.

Durante vários meses, a escola transferiu-se para dentro de casa assim como o trabalho dos pais. Uma das consequências de as famílias passarem a estar juntas, 24 horas por dia, foi “a valorização da missão dos professores”, contou à Lusa o psicólogo Eduardo Sá, da Iniciativa Escola Amiga da Criança.

Segundo as respostas de mais de 23 mil pais de todo o país, os docentes são agora mais acarinhados pelos pais e o papel do professor sai reforçado depois de meses de ensino à distância.

Os pais consideraram que o esforço dos professores foi bem ajustado ao ensino em casa: Numa escala de um a cinco, os docentes obtiveram quatro valores (Bom) no trabalho desenvolvido durante o ensino à distância.

“O papel dos professores na aprendizagem dos alunos foi assumido como determinante e por isso a sua missão surge agora valorizada” contou Eduardo Sá.

No ano passado, um outro estudo da Universidade Católica questionava os encarregados de educação sobre quem era responsável pela aprendizagem dos alunos e o destaque foi para os pais e os filhos.

Agora, os pais colocaram-se ao lado dos professores e dividiram as honras da responsabilidade pelo sucesso académico.

“Numa escala de um a cinco, os pais consideraram que os professores são determinantes na aprendizagem dos filhos, com uma média de 4,54 valores”, sublinhou o psicólogo.

Os professores passaram a ser considerados como mais importantes nos desempenhos escolares e no sucesso educativo de crianças e jovens.

Com a quarentena, os pais passaram também a conhecer melhor o papel do professor e disseram conseguir contactar com mais regularidade e de forma mais contínua com os docentes (média de 4,07 valores).

No ensino à distância, que começou em meados de março quando todas as escolas foram encerradas, o mais habitual foram as aulas síncronas (27%), o #Estudoemcasa TV (21%) e as aulas assíncronas (19%).

No entanto, houve alunos que estiveram desligados da escola. Apenas 86% dos alunos da amostra teve ensino à distância, os restantes 14% não tiveram aulas, segundo o estudo desenvolvido pela Escola Amiga da Criança, em parceria com a Porto Business School da Universidade Católica do Porto e a Faculdade de Psicologia da Universidade Católica do Porto.

"O ensino à distância veio aprofundar de forma significativa as desigaldades sociais", lamentou Eduardo Sá.

O estudo, que será apresentado hoje no Canal Youtube da LeYaEducação, contou com a participação de pais de todas as zonas do país com filhos de todas as idades.

No entanto, quase metade (46%) frequentava o 1.º ciclo, seguindo-se os encarregados de educação de alunos do 2.º ciclo (20%), do 3.º ciclo (18%), do pré-escolar (8%) e do secundário (7%).

Nove em cada dez encarregados de educação tinham entre 31 e 50 anos, sendo que metade tinha entre 41 e 50.

/ BC