O pneumologista Filipe Froes não tem muitas dúvidas que será necessária uma terceira dose da vacina contra a covid-19, mas acha que há perguntas sem resposta ainda: "Quando, a quem e com que vacina?".

Acredita que essa terceira dose pode não ser com as vacinas que estão a ser administradas atualmente e acha que é necessário monitorizar alguns grupos antes da decisão: "Pessoas a partir dos 75/80 anos, pessoas imunodeprimidas e profissionais de saúde". Admite ainda que fim de setembro ou princípio de outubro poderia ser uma boa altura para administrar essa terceira dose.

O pneumologista Filipe Froes esteve, esta segunda-feira, na Noite TVI24 e apresentou dados científicos relacionados com a eficácia das vacinas na luta contra a covid-19. E quis mostrar esses dados às "pessoas que estão com duvidas ou comportamento inadequados", por forma a que estas "perceberem que a resposta cientifica é arrebatadora em relação ao valor da vacina".

Sem negar que as variantes mudaram o cenário mundial, assume: "A variante delta é um upgrade da pandemia, nós agora estamos com uma pandemia diferente da pandemia inicial".

Apesar da eficácia da vacina, perante esta nova variante dominante, por comparação com o vírus inicial, ter baixado de 95% "para 87,5%", este valor significa que "A vacina protege em oito vezes a infeção" e, por isso, "é do que há de mais eficaz".

Mas não só. Os dados científicos revelam ainda, segundo este especialista que a vacina "protege em 25 vezes o internamento e em 25 vezes a morte". Além de ser eficaz ao nível da infeção, ela é ainda mais eficaz "na prevenção da gravidade da doença".

Relativamente às infeções assintomáticas em pessoas vacinadas, Filipe Froes, referiu estudos que revelam que a "eficácia na prevenção da infeção assintomática referem valores que vão dos70-75% aos 90%".

Mas, os dados vão mais longe, as pessoas vacinadas têm "menos 40% de carga viral transmissora, e tem menos duração da transmissão da carga viral  que passa de 8,9 dias para 2,7 dias". Tal como uma diminuição da duração dos sintomas da doença.

Em relação à possibilidade de se atingir ou não a imunidade grupo, Filipe Froes lembra que todo o raciocínio "tem de ser adpatado à variante Delta", já que esta é "mais transmissível em 60%, é mais grave em média duas vezes e aumenta o risco de reinfeção em pessoas que tiveram infeção após seis meses em 40%". Os cálculos indicam que os níveis de proteção total, em relação ao número de pessoas vacinadas, pode não ser atingido.

"Qual a alternativa? Continuar a vacinar. Para proteção individual e proteção de grupo", assume o especialista. Tal como, continuar a manter algumas medidas como "o uso de máscara ou testar os sintomáticos vacinados".

Em relação ao incidente que envolveu o vice-almirante Gouveia e Melo e à vandalização de um centro de vacinação, Filipe Froes sentiu-se chocado: "Assistimos durante o fim de semana a dois acontecimentos que eu pensava impossíveis de ocorrer num pais civilizado". "Não é aceitável do ponto de vista ética, cientifico e democrático", acrescentou.

Mas considera que a melhor resposta foi dada pelos jovens durante o processo de vacinação: "O que assistimos foi a resposta dos jovens a estas manifestações... e a resposta foi clarissima, foi a adesão à vacina". Admitiu mesmo que ficou satisfeito "por vereficar que as futuras gerações do meu pais souberam responder a este insulto infame".

Patrícia Pires / (Atualizada às 23:49)