A sociedade canadiana Flowr anunciou esta quarta-feira que a sua empresa Holigen já recebeu, através da subsidiária portuguesa RPK Biopharma, a autorização do Infarmed para plantar canábis no concelho alentejano de Aljustrel para fins medicinais.

Num comunicado enviado à agência Lusa, a Flowr refere também que recebeu uma licença de exportação da instituição "Health Canada" para enviar uma remessa inicial de clones de canábis para Portugal, a partir do seu campo de Kelowna, no Canadá.

A autorização do Infarmed [Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde] para plantar canábis em Aljustrel é um marco importante no desenvolvimento deste projeto, que é um pilar nos nossos esforços para servir o mercado mundial de canábis medicinal", refere o administrador da Flowr, Vinay Tolia, citado no comunicado.

De acordo com Vinay Tolia, a licença para plantação de canábis em Aljustrel "é uma das maiores licenças de cultivo exterior de THC [tetra-hidrocanabinol - a principal substância psicoativa encontrada nas plantas de canábis] no mundo desenvolvido e será instrumental no fornecimento em larga escala e a baixo custo de extrato de canábis para ingredientes farmacêuticos ativos e óleos no mercado europeu".

Segundo a Flowr, a Holigen está "na fase final de receber todas as licenças necessárias para operar em Aljustrel" e o projeto da empresa para este concelho já foi "designado como Projeto de Interesse Nacional (PIN) pelo Governo português", o que "permite mover rapidamente o projeto entre processos de licenciamento e potencia o acesso ao financiamento".

O projeto para Aljustrel "é uma das duas instalações em desenvolvimento pela Holigen para produção, extração e fabrico de canábis em Portugal", sendo a outra em Sintra.

De acordo com a Flowr, o projeto da Holigen para Aljustrel prevê o cultivo e a operação de uma plantação de canábis numa propriedade com mais de 650 mil metros quadrados e uma capacidade potencial anual combinada de flores secas de canábis de aproximadamente 500 mil quilogramas.

Além das operações de cultivo, prevê-se que Aljustrel inclua instalações de processamento e fabrico construídas segundo as especificações de boas práticas de fabrico, que deverão apoiar planos de distribuição de produtos medicinais e ingredientes farmacêuticos ativos em mercados na Europa, na Austrália e na Ásia.

Em abril deste ano, o presidente executivo da Holigen, Pauric Duffy, disse à Lusa que a empresa vai investir 45 milhões de euros na produção de canábis medicinal e espera criar 200 postos de trabalho nos próximos quatro anos em Portugal.

Recebemos a nossa licença de produção este ano e estamos a construir as nossas instalações em Sintra (21.500 metros quadrados) e Aljustrel (7.000.000 metros quadrados). Se todo o processo de licenciamento ocorrer como o previsto, no terceiro trimestre de 2019 estaremos totalmente operacionais em Sintra e, em 2020, em Aljustrel", afirmou na altura Pauric Duffy.

Pauric Duffy explicou que o processo de produção de canábis medicinal é "totalmente realizado em conformidade" com as regras de boas práticas e "estritamente farmacêutico" e inclui as fases de cultivo, colheita, secagem, extração de ingredientes farmacêuticos, preparação de produtos de grau farmacêutico, embalagem e comercialização.