A disfunção eréctil pode vir a afectar uma média de 50 a 70 por cento dos homens diabéticos. O porquê deste problema tem agora resposta a partir de um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina do Porto (FMUP), segundo um comunicado de imprensa.

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina do Porto (FMUP), liderada pela cientista Carla Costa, descobriu o motivo pelo qual os homens diabéticos estão mais susceptíveis a sofrer de disfunção eréctil do que aqueles que não têm a diabetes. O facto é que se verifica uma morte de células endoteliais (que revestem os vasos sanguíneos) quatro vezes maior nos diabéticos do que nos não-diabéticos.

Em colaboração com o cirurgião vascular Ronald Virag, director do «Centre d¿Explorations et Traitements de l¿Impuissance», em Paris, a equipa da FMUP concluiu, numa amostra de dois grupos de homens, que um número significativo de células endoteliais entram em auto-destruição e morrem, quatro vezes mais nos diabéticos do que nos homens que não tenham diabetes.

O investigador francês disponibilizou à equipa da FMUP 13 amostras de tecido humano recolhido de homens diabéticos e cinco amostras de homens saudáveis. Verificou-se um padrão repetitivo de morte celular daquelas células nos indivíduos diabéticos.

Viagra não funciona

Os resultados da investigação permitiram ainda explicar porque é que os tradicionais fármacos orais para o tratamento da disfunção eréctil falham neste grupo de pacientes. Estas drogas actuam sobre células musculares e endoteliais do tecido peniano. Logo, uma vez que grande parte destas células está fragilizada, o efeito daqueles fármacos não é o desejado.

Publicado no «Journal of Sexual Medicine», o trabalho dos investigadores da FMUP, desenvolvido desde 2007, responde agora a algumas questões que muitos diabéticos colocavam.

Os trabalhos desta equipa vão continuar, pretendendo testar, no futuro, uma terapia para melhorar a função eréctil nos pacientes diabéticos, a partir da reabilitação dos vasos sanguíneos do pénis.
Redação / TG