Os médicos de saúde pública continuam a passar receitas em papel por não terem acesso aos sistemas informáticos, o que levou a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) a questionar a tutela sobre o assunto, noticia a agência Lusa.

Em cartas dirigidas ao presidente da Administração Central dos Sistemas de Saúde (ACSS) e ao secretário de Estado e Adjunto da Saúde, a FNAM denuncia a impossibilidade dos médicos de saúde pública efectuarem electronicamente a prescrição de medicamentos e outros exames.

«Esta falha tem repercussões fundamentais no cabal desempenho do perfil profissional destes médicos, não tendo acesso aos dados gerados no sistema estão impossibilitados de assumir uma das suas funções mais importantes, a de Observatório Local de Saúde e Planeamento», lê-se na missiva dirigia à ACSS.

«Basta pensarmos na eventualidade destes terem de ocorrer, por exemplo, a um caso de meningite numa escola, ou de uma intoxicação alimentar, para vermos como tal falha é limitativa da sua acção», diz o documento enviado ao secretário de Estado e Adjunto da Saúde.

A FNAM solicita a «resolução desta incongruência», o que deve acontecer com «a ligação das unidades de saúde pública às diversas plataformas informáticas».

A Federação acredita que, só dessa forma, estes médicos podem «cumprir o estipulado quanto à prescrição electrónica de medicamentos e Meios Complementares de Diagnóstico e terapêutica (MCDT)».

Desde 1 de Agosto que os médicos são obrigados a prescrever receitas electronicamente, mas alguns clínicos continuam a passar receitas à mão, ao abrigo de excepções previstas na lei.

Dados da Ordem dos Médicos apontam para a prescrição electrónica em 70 por cento do Serviço Nacional de Saúde (SNS).