O Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM), em Tábua, questionou hoje a aplicação das ajudas comunitárias às vítimas dos fogos de 2017, pedindo a intervenção do parlamento.

“Iremos exigir à Assembleia da Republica o apuramento real dos apoios concedidos”, afirma em comunicado o MAAVIM, dirigido pelo empresário Fernando Tavares Pereira.

Após ter questionado a Comissão Europeia, a organização do concelho de Tábua, distrito de Coimbra, recebeu a informação de que “foram enviados para Portugal mais de 300 milhões de euros para ajudar a minimizar o desastre que afetou a região”, dos quais cerca de 201 milhões para relançar agricultura e floresta e 50 milhões para infraestruturas, proteção e habitação.

Através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), foram alocados mais 102 milhões de euros. Ora, estes mesmos valores não foram aplicados na ajuda à população que tudo perdeu”, refere Fernando Tavares Pereira na nota.

Na sequência de um encontro realizado em Midões, no domingo, que reuniu centenas de lesados dos incêndios de 15 de outubro de 2017, o MAAVIM reitera “a intenção de avançar para os tribunais contra o abandono da população”.

Passados 18 meses, são mais de mil pessoas que ainda estão sem casa e a maioria nunca vai ter casa, porque chumbaram os seus pedidos de apoio”, acrescenta.

As infraestruturas e o património “estão completamente abandonados”, havendo “o risco de a maioria da agricultura e floresta na região desaparecer nos próximos tempos, devido à falta de apoio”.

“Não somos culpados, somos vítimas. Preocupa-nos quem não recebeu as ajudas prometidas e por isso iremos pedir justiça para todos os lesados”, reafirma o movimento.

Numa resposta dada ao MAAVIM em março, através da Direção-Geral de Política Regional e Urbana, a Comissão Europeia, “com base nas informações de que dispõe”, esclarece que “as autoridades portuguesas estão a utilizar o contributo dos fundos europeus no pleno respeito das regras” da União Europeia (UE).

As restantes medidas de recuperação adotadas pelas autoridades portuguesas que não beneficiam da contribuição financeira da UE não são da responsabilidade da Comissão”, adianta, no ofício hoje divulgado por Fernando Tavares Pereira.

Entre a população, o fogo de junho de 2017 originou 66 mortos e mais de 250 feridos, enquanto no de outubro perderam a vida 50 pessoas e cerca de 70 ficaram feridas.

Além de terem destruído milhares de imóveis, incluindo casas habitadas, os incêndios que eclodiram em Pedrógão Grande e na Lousã, distritos de Leiria e Coimbra, nos dias 17 de junho e 15 de outubro de 2017, respetivamente, devastaram extensas áreas de floresta e mataram milhares de animais domésticos e selvagens.