Uma organização não-governamental (ONG) francesa que tem apoiado as vítimas dos incêndios de 2017 anunciou esta terça-feira que a sua missão em Portugal poderá acabar por falta de ajuda no transporte e armazenamento dos bens reunidos.

Um importante programa de apoio material às vítimas” está agora “ameaçado de desaparecimento”, informa a Partagence, com sede em Paris, em comunicado.

O coordenador em Portugal da ONG, Leonel Antunes, disse à agência Lusa que “a situação está complicada”.

Mantemos, para já, toda a nossa intenção e toda a logística, mas corremos o risco de não conseguir continuar”, adiantou.

A instituição afirma que “a ausência quase total de apoios, mesmo tendo a Partagence, como devia, aberto uma conta bancária portuguesa em Lisboa, coloca neste momento em causa a missão”.

A sociedade civil continua sensibilizada para apoiar esta missão excecional”, sublinha na nota.

A Partagence dispõe de uma delegação em Lisboa e tem protocolos de colaboração com os municípios de Tondela, Santa Comba Dão, Tábua, Seia, Pampilhosa da Serra, Góis e Penela, uma cooperação que não conseguiu concretizar com as autarquias de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande, as quais não deram “uma resposta oficial, mesmo após vários meses” de reuniões e contactos com a ONG, em 2017, lamenta.

No entanto, “a organização espera poder ainda reunir as condições para finalizar a sua missão de apoiar nos próximos 12 meses as mais de 400 primeiras habitações destruídas” em Tondela, Santa Comba Dão, Tábua, Seia, Pampilhosa da Serra, Góis e Penela.

Que acontecerá às 31 toneladas de móveis e equipamentos para o lar armazenados no Centro do país, que tornam já a Partagence no maior doador de bens materiais – novos, repetimos – no esforço de reconstrução das casas destruídas em Portugal?”, pergunta, referindo ainda a situação de “numerosas famílias sinistradas que, informadas do papel humanitário da Partagence, se arriscam a ser negligenciadas”.

A ONG, que tem o francês Claude Frégeac como diretor-geral, salienta o papel dos voluntários portugueses e franceses “que se envolveram” no apoio às vítimas dos fogos de 2017, “em nome desta associação que investiu os meios financeiros de que dispunha” na missão humanitária que diz agora estar comprometida.

Em Portugal, “falharam todos os esforços visando obter apoio para fazer face aos custos relacionados principalmente com o transporte e armazenamento dos móveis”, além de outros “esforços infrutíferos juntos das autoridades”, segundo a nota.

Após 10 meses, a Partagence apenas beneficiou de tímidos apoios da comunidade lusa em França”, acrescenta.