Dez guardas provisórios do curso da GNR em Portalegre terão sido espancados, sofrendo lesões graves em treinos de formação. Segundo o Jornal de Notícias, os espancamentos provocaram fraturas, perda de sentidos e até lesões oculares que obrigaram a intervenções cirúrgicas. O Ministério da Administração Interna fez saber que já ordenou à Inspeção Geral da Administração Interna a abertura de um inquérito sobre o caso.

De acordo com o Jornal de Notícias, tudo aconteceu entre 1 de outubro e 9 de novembro, durante o módulo “curso de bastão extensível”, do 40.º curso de formação do Centro de Formação da GNR, em Portalege.

As agressões terão sido causadas por um formador armado com luvas de boxe, chumaços, caneleiras e capacete, denominado "Red Man". O instrutor terá espancado os recrutas, que vestiam apenas calças e t-shirt, sem qualquer proteção, e munidos apenas com um bastão de plástico.

Agredidos ao soco e pontapé, alguns guardas tiveram de ser assistidos e operados no Hospital de São José, em Lisboa, escreve o JN.

Uma fonte citada pelo jornal, que pediu anonimato, afirmou que no caso de recrutas do sexo feminino, houve socos na cabeça, mulheres empurradas e com os peitos pisados. Muitas não terão ido à enfermaria com receio de chumbar no curso.

O comando geral da GNR já garantiu estar em curso um processo de averiguações para se apurar as circunstâncias do sucedido.

 

Governo ordena inquérito

O Ministério da Administração Interna ordenou à Inspeção Geral da Administração Interna a abertura de um inquérito sobre o caso.

Numa nota enviada às redações, o ministério refere que o inquérito visa o “apuramento dos factos e determinação de responsabilidade” da situação.

Segundo o ministério, a confirmarem-se, estes factos “não são toleráveis numa força de segurança num Estado de Direito democrático”.

No comunicado, o ministério acrescenta que o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, “pediu esclarecimentos ao Comando Geral da GNR sobre os factos descritos na notícia”.

 

Associação de Sargentos da GNR afasta cenário de agressões, mas diz ser caso "grave"

O presidente da Associação Nacional de Sargentos da Guarda, José Lopes, afastou o cenário de agressões na formação da GNR em Portalegre, mas considerou que, a haver lesões, “é grave” e que deve haver apuramento de responsabilidades.

Não quero acreditar que tenha havido agressões, porque haveria dolo, e tornaria o caso ainda mais grave porque há lesões com gravidade”, disse José Lopes.

O dirigente associativo explicou ser “normal” algumas lesões nos exercícios de ‘red man’, “mas não deste tipo”, já que se simulam alterações da ordem pública. 

No exercício de ‘red man’, um formador, com equipamento completo no corpo de cor vermelha, cria “uma altercação de ordem pública e gera confusão para preparar os militares para saberem o que fazer nestas situações”, acrescentou José Lopes.

Nestas simulações pode haver “bracejar, empurrar”, o que pode levar a “luxações, encontrões e até murros”, mas “não lesões com esta gravidade de problemas de perda de visão e canas do nariz partidas”, disse o responsável, lembrando que existe uma unidade especial da GNR treinada para situações mais graves.

Queremos saber a verdade, que seja exposto o que aconteceu e que haja correção do que for preciso, além de que se deve aferir qualquer responsabilidade do caso noticiado agora", sublinhou José Lopes.