Há 180 espécies deste inseto em Portugal, mas há mais no mundo. Tem uma organização social em comunidade exímia e há muitas curiosidades sobre a forma como interage com os pares. É um animal de estimação cuja procura está a crescer e o nome não lhe é estranho de certeza: é a formiga.

Provavelmente está surpreendido por ter lido que a formiga é um animal de estimação, mas a verdade é que são cada vez mais os fãs deste inseto e da forma como vive em comunidade.

Carmen Boaventura, que representa uma empresa de “formigueiros lúdico-didáticos”, a Mirmex, explica que a formiga é mais do que um inseto.

A formiga é como um animal de estimação”, começou por explicar Carmen, uma das responsáveis pelo desenvolvimento daquele que é o objeto essencial para quem quer ter formigas domésticas. “Há cerca de 180 espécies de formigas em Portugal. Há mais no mundo”.

O formigueiro, com várias galerias, e onde se pode observar os bichinhos em movimento, “não é só lúdico, também didático, porque é interessante ver o funcionamento do formigueiro, visto que as formigas são insetos sociais”.

Pretendemos que as pessoas consigam ter um formigueiro em casa, com temperatura controlada, claro, porque não pode estar em temperaturas extremas, senão as formigas não se mexem”, justificou. “Se as formigas estiverem em ambientes com 2 graus, 3 graus, é inconcebível ver o funcionamento de um formigueiro”, continuou a fã daqueles insetos, antes de explicar como funciona “a casinha” que desenvolveu para os ter em casa.

O formigueiro que desenvolveram funciona como os naturais. Aqueles amontoados de terra, quase em pirâmide, com o orifício no topo por onde vemos saírem as formigas escondem mais do que podemos imaginar.

SABIA QUE...?

  • Há cerca de 180 espécies de formigas só em Portugal?
  • As formigas dividem as sementes que recolhem pelo valor proteico?
  • Estes insetos têm espaços próprios para o lixo e para os mortos?
  • As fêmeas guardam os ovos nas mandíbulas?
  • Há um dia específico no ano em que as formigas ganham asas e se reproduzem em voo?
  • O macho morre logo após a fecundação?

Verdadeiras obras arquitetónicas e funcionais, mostram como são organizados estes animais. E não é só na forma como constroem “as casas”. Socialmente também o são e, por isso, esta empresa quis desenvolver um produto que respeitasse essa organização.

Nas várias galerias do formigueiro, as formigas encontram diversas funções. Uma funciona como espaço comum, outra como cemitério e ainda há a despensa. Em cada uma delas há regras.

Na galeria onde armazenam os alimentos, elas dividem as sementes pelo valor proteico”, sublinhou Carmen, que explicou ainda que há alimentos específicos dependentes da espécie. Há as insetívoras, outras granívoras, que só comem grãos de sementes. “Bebem água, é só água”, continuou.

Elas são tão organizadas que “consegue-se ir de férias e deixar as formigas em casa” com comida e bebida para vários dias.

Quanto aos cuidados, são animais que exigem pouco de nós e são bastante independentes.

Cuidados sim, mas não excessivos. É fácil. Não pode incidir luz solar diretamente sobre o formigueiro, porque isso vai matá-las completamente. Vai atingir temperaturas extremas e vai acabar por matá-las. Inseticidas também é, claro, muito importante manter distantes, até mesmo aqueles das melgas, de colocar nas tomadas. É só colocar numa divisão da casa onde isso não aconteça” e o formigueiro está seguro.

Ter formigas como animal de estimação é uma prática incomum, mas que está a crescer.

Por enquanto ainda não há muita procura, mas é isso que nós pretendemos, visto que é mesmo muito interessante. Ver o nascimento das formigas, elas optam por ter uma galeria para a lixeira, outra para o cemitério, outra para reservar os alimentos, é interessante… São insetos sociais”, destacou a também dona de formigueiros caseiros.

Revoadas, asas e morte

A reprodução das formigas dá-se de uma forma bastante peculiar, explicada por Carmen no stand da empresa no PetFestival, na FIL, em Lisboa.

Há uma revoada uma vez por ano de machos e fêmeas, um dia específico, com temperaturas específicas, um dia específico. Nós não sabemos explicar o por quê. Então elas vão ser fecundadas em voo. O macho morre logo, após a fecundação, e só fica a fêmea. A fêmea perde as asas e por norma enterra-se” para criar um ambiente mais quente e protetor para os ovos.

Então ela depois põe os ovos e, talvez no início da primavera, nasçam as primeiras obreiras”, que acabam por fazer os tais amontoados de terra no chão, para saírem à superfície.

Nós vamos capturá-las, ainda com os ovos, para depois podermos observar”. Quando recolhidas, as rainhas (formigas com os ovos) são guardadas em tubos, em ambientes escuros, para poderem desenvolver os ovos até ao nascimento.

Por norma, os ovos estão nas mandíbulas. Ela guarda nas mandíbulas, estão sempre a guardar. São os filhotes dela”, referiu Carmen. Enquanto a rainha tem os ovos “tem de se guardar o tubo onde ela está num ambiente mais ou menos ameno, quentinho até, e escuro. A pessoa se quiser até pode guardar dentro de uma gaveta”. “Depois vão nascer as obreiras, as primeiras obreiras”, esclareceu.

Já no fim de vida, também há um ritual social na morte das formigas. Se uma da comunidade morrer, as restantes do formigueiro depositam-na noutra sítio, o chamado cemitério. No formigueiro desenvolvido pela empresa, reservam uma das galerias para o efeito. Em habitat natural, enterram-na.

João Ferreira Pelarigo