Uma reportagem sobre o bairro do Iraque, em Carrazeda de Ansiães, habitado por uma comunidade de etnia cigana, garantiu este sábado ao fotógrafo António Pedrosa a conquista do principal galardão do Prémio de Fotojornalismo Estação Imagem/Mora, noticia a agência Lusa.

Os vencedores da terceira edição da iniciativa foram anunciados esta manhã, numa cerimónia no auditório municipal daquela vila alentejana.

Dedicado à reportagem, o prémio é promovido pela associação Estação Imagem com sede em Mora e dedicada ao estudo e promoção da imagem, sobretudo da fotografia documental, e pelo município.

O principal galardão, o Prémio Estação Imagem, foi atribuído ao trabalho «Iraquianos» de António Pedrosa, sobre o bairro onde vive uma comunidade de cerca de 120 pessoas de etnia cigana, que, até aos anos 90, andava «de aldeia em aldeia, a fazer pequenos arranjos, cestos ou utensílios para cavalos».

A comunidade foi «expulsa do acampamento no centro da vila» e deslocada «para o topo de um monte onde, nos anos 40, laborava uma mina de volfrâmio alemã, atualmente lixeira de materiais de obras», pode ler-se na ficha explicativa da reportagem.

O concurso, com outras seis categorias, além do galardão principal, estreou-se em 2010 e, nesta terceira edição, a organização recebeu 147 inscrições de fotojornalistas, que submeteram 452 reportagens, que envolvem mais de 4.500 fotografias.

Na categoria de Notícias, o primeiro classificado foi João Carvalho Pina, com «Revolução Egípcia», tendo ficado em segundo lugar Nelson d'Aires, com «Sobreviventes», e em terceiro Mário Cruz, com a cobertura da campanha eleitoral de José Sócrates.

Em Retratos, o júri atribuiu o prémio da categoria a Filipe Branquinho, pelo trabalho «Ocupações», premiando ainda Adriano Miranda, pela reportagem «Meninos de Cabanelas».

O primeiro lugar na categoria de Vida Quotidiana coube a Miguel Proença («Curandeiros»), ficando em segundo lugar José Ferreira (¿Ninja¿) e em terceiro Rui Gaudêncio («Tanatopraxia»).

Tommaso Rada foi o vencedor da categoria Ambiente, pelo trabalho «The Last Forest», tendo o júri distinguido também José Antunes («Retratos de Rapinas») e Vlad Sokhin («A Time of Crocodiles: Humans and Nature Clash in Mozambique»), na segunda e terceira posições, respetivamente.

«Uma Fábrica de Teatro», de Rui M. Oliveira, alcançou a primeira posição na categoria Arte e Espetáculos, na qual Paulo Pimenta, com uma reportagem sobre o «Portugal Fashion», ficou em segundo lugar, seguido de Miguel Riopa, com «Sonar».

Já na categoria de Desporto, que apenas teve dois galardoados, o vencedor foi Pedro Cunha («Surf em Portugal»), seguido por Ricardo Meireles («CSI Porto»).

Além de todas estas reportagens distinguidas, foi ainda atribuída a Bolsa Estação Imagem 2012 a Nelson d¿Aires, que se propôs desenvolver um trabalho intitulado «Álbum de Família - A memória de Mora, como demora a fotografia».