As empresas promotoras dos projetos de energia fotovoltaica projetados para a Herdade da Torre Bela, na Azambuja, alegam não estarem relacionadas com a montaria que matou 540 animais este fim-de-semana.

Estas duas empresas (A Aura Power Rio Maior S.A. e a CSRTB Unipessoal Lda. (grupo Neoen), que estão a desenvolver, como promotores, dois projetos de energia solar fotovoltaica com localização futura prevista para este local, não estão de nenhuma forma relacionadas com o ocorrido, nem com a atual gestão, propriedade ou exploração da “Herdade da Torre Bela”", declararam esta quarta-feira, em comunicado. 

De acordo com o comunicado enviado à TVI, as empresas asseguram que a implementação destes dois projetos de energia solar fotovoltaica está condicionada à obtenção de todas as licenças necessárias por parte das autoridades e entidades competentes, que estão a par dos detalhes dos referidos projetos, "estando a ser cumpridos todos os trâmites legais e processuais normais e exigíveis para o efeito".

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"Desde a atribuição feita no leilão de 2019 do título de reserva de capacidade para injeção de energia renovável na rede elétrica de serviço público os promotores têm vindo a trabalhar no processo de licenciamento, incluindo no Estudo de Impacte Ambiental - entregue à APA (Agência Portuguesa do Ambiente) - que obteve, em novembro de 2020, a conformidade e que se encontra em processo de avaliação", prossegue o comunicado.

O início das atividades de construção – e na condição de estarem reunidas todas as autorizações necessárias - está previsto para o segundo semestre de 2021.

Saiba mais:

Os responsáveis referem ainda que , nos projetos das centrais solares a instalar pela CSRTB e pela Aura Power foi assumido o compromisso de venda de toda a energia produzida com preços de energia muito competitivos. As mesmas centrais contribuirão com cerca de 100 milhões dos 600 milhões de euros estimados pelo Governo como benefício para os consumidores.

O desenvolvimento destes projetos de energia solar fotovoltaica surge no contexto do compromisso nacional no Acordo de Paris (2015), tendo Portugal assumido o desafio de atingir um balanço zero de emissões de gases com efeito de estufa até 2050 – materializado através do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050. No âmbito do Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), aprovado em 2019, foram também estabelecidas as metas de energias renováveis até 2030, estando previsto um crescimento acentuado do setor solar.

Rafaela Laja