Ainda não há vacina para a gripe A. E não deverá haver até aos primeiros meses de 2010. Até lá, o director-geral da saúde diz que «a melhor vacina de todas é a informação». Francisco George, que respondeu esta tarde às perguntas dos deputados na comissão parlamentar de saúde, recusou alarmismos em relação à doença, mas lembrou que, perante uma epidemia que não é possível evitar, é necessário o empenho de «todos» para atrasar a sua propagação. Sobre o uso de máscaras, o responsável diz que só os doentes devem usá-las.

Mais quatro doentes

Depois de esperar mais de 45 minutos à porta da comissão - enquanto os deputados discutiam a atribuição de «paternidade» de uma proposta para criação de uma comissão parlamentar eventual para acompanhamento da gripe A (que acabou por ficar com a assinatura do CDS e da socialista Maria de Belém) -, Francisco George explicou o que se sabe e o que não se sabe sobre o vírus H1N1.

O plano para os primeiros 100 casos foi cumprido, disse o director-geral da saúde, sublinhando que se conseguiu «impedir a formação de cadeias de transmissão». «Todos os casos foram importados e só 14, muito bem identificados e devidamente controlados, deram origem a casos secundários. Há dois casos terciários, mas também foram controlados», assegurou.

Sobre o que não se sabe, o responsável anotou: «Estamos no princípio da actividade epidémica. Ainda não se percebeu qual o comportamento de infecção». «O que sabemos é que todos os dias vão aumentar casos», realçou depois, apelando ao empenho de todos os cidadãos, com a renovação das recomendações de lavar frequentemente as mãos ao longo do dia, usar lenços de papel para travar espirros e tosse e ter cuidado no contacto com superfícies que possam ser veículo de transmissões indirectas.

Vacina só no início de 2010

Num dia em que o Governo aprovou uma verba de 45 milhões de euros para a compra de três milhões de vacinas contra a gripe A, Francisco George disse que, na primeira onda da epidemia, o combate à doença terá de ser feito sem este fármaco, porque ele ainda nem existe, estando em fase de desenvolvimento, a que se seguirá uma série de ensaios clínicos para garantir que não terá efeitos secundários adversos.

O sub-director-geral da saúde José Romão, também presente no encontro com os deputados, disse que é impossível apontar uma data exacta para a chegada da vacina. «Provavelmente, antes de Fevereiro não teremos possibilidade de aplicar essa vacina», referiu.

E porque a vacina é uma arma que ainda não existe, Francisco George considerou que a aposta terá de ser feita na prevenção. «A melhor vacina de todas é a informação. Não há melhor vacina do que a informação». Todas as instituições devem ter, por isso, planos de contingência preparados. Embora, o responsável tenha feito questão de frisar que não deve haver alarmismos. «Não vão estar dois milhões de pessoas doentes ao mesmo tempo».

Máscaras

«As escolas não vão fechar de forma universal e indiscriminada, nem sabemos se chegaremos a esse ponto», disse o responsável, acrescentando: «As empresas não vão encerrar. Não se prevê o encerramento de empresas. Prevemos é o dobro da actividade gripal». Perante este cenário, Francisco George diz que o importante é ser estudado o que se fez em outros anos com elevados casos de gripe sazonal e preparar as estruturas para um cenário com mais casos.

Questionado sobre o uso de máscaras, o responsável avisou: «Nós não vamos recomendar o uso indiscriminado de mascaras. Vamos recomendar uso de máscaras a quem precisa, que são doentes infectados», disse, sublinhando que estas devem ser «adequadas». «Não vamos distribuir máscaras como aconteceu no México, porque quando distribuíram a situação já estava descontrolada».
Hugo Beleza