O diretor-geral de Saúde, Francisco George, reiterou esta terça-feira que as autoridades de saúde estão a trabalhar para controlar o surto de Hepatite A em Portugal, ainda que tenha admitido que não existem no país, ou na Europa, vacinas para todos os doentes.

Em conferência de imprensa, Francisco George afirmou que as vacinas disponíveis estão a ser geridas para dar resposta, em primeiro lugar, aos casos mais avançados, tendo já sido administradas "algumas dezenas".

"Já foram administradas algumas dezenas de vacinas a quem mais precisava. O comité de especialistas foi chamado a reunir, incluindo com o Infarmed, para fazer uma reavaliação das doses disponíveis e perceber qual é a forma mais adequada, mas eficaz, para podermos proteger quem mais precisa", disse.

Ficámos todos a saber que não há vacinas para todos, é, por isso, necessário gerir a utilização das vacinas, administrá-las a quem mais precisa, de forma a que aqueles que, de facto, têm de ser protegidos possam receber, de maneira a interromper a cadeia de transmissão da doença."

Francisco George está confiante que as doses aplicadas até agora tenham efeito na redução do número de casos no próximo mês, tendo em conta o período de incubação do vírus. 

"A doença tem um período de incubação longo, superior, em regra, a 30 dias. [Por isso] há tempo para quem tenha um contacto hoje de interromper o aparecimento da doença. A vacina faz efeito depois do contacto, depois de adquirido o vírus. Temos que ter esta noção, todos nós: há poucas vacinas na Europa, há poucas vacinas em Portugal e elas têm que ser administradas de uma forma criteriosa, mas temos vacinas para conduzir os nossos trabalhos."

Pretendemos conseguir a interrupção da cadeia de transmissão que se gerou a partir do próximo mês. Isto é, as vacinas de hoje vão ter efeito na redução do número de casos no próximo mês", acrescentou.

Há 138 casos diagnosticados

Portugal tem atualmente 138 casos de hepatite A diagnosticados de um surto que está ainda longe de se considerar controlado, segundo revelou também o diretor-geral da Saúde.

Francisco George, que esteve reunido em Lisboa com a sua homóloga espanhola para analisar o surto de hepatite A, que também afeta Espanha, adiantou que houve uma grande concentração de casos no final de março. A esmagadora maioria dos casos deste surto é de homens que tiveram sexo anal ou oroanal desprotegido com outros homens.