Francisco José Ferreira, adjunto do secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, e presidente da concelhia do PS/Arouca foi quem recomendou as empresas para a compra das 70 mil golas antifumo inflamáveis e os 15 mil kits de emergência com materiais combustíveis e panfletos, segundo avança a edição do Jornal de Notícias desta segunda-feira.

O adjunto assumiu ao JN que recomendou “nomes para tais procedimentos”, mas recusou dar detalhes sobre como as cinco empresas - Foxtrot, Brain One, Coldepor, Mosc e Edstates - foram consultadas para fornecer os equipamentos.

No domingo, confrontado com o facto de o processo ter sido coordenado pelo seu gabinete, o secretario de Estado José Artur Neves negou conhecer as empresas e garantiu que “o processo foi desenvolvido pela Proteção Civil”.

Mas, segundo o JN, ao presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) pouco mais coube que assinar os procedimentos, no verão de 2018, sem concurso público – já que foi usada a consulta prévia ao mercado.

A ANEPC pagou 350 mil euros às empresas Foxtrot Aventura, propriedade do marido de uma autarca do PS de Guimarães, e à Brain One, Lda, cujos donos têm há vários anos adjudicações da Câmara de Arouca onde Artur Neves foi autarca durante 12 anos até ir para o Governo

Francisco José Ferreira, de 30 anos, com o 12.º ano, foi nomeado por José Artur Neves “técnico especialista” em dezembro de 2017. Antes era padeiro numa pastelaria em Vila Nova de Gaia, propriedade do irmão

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, afirmou no domingo à noite que o tema dos incêndios não deve servir de conflito pré-eleitoral. O governante reiterou ainda que deve haver uma união em torno da Proteção Civil.

O governante, que se escusou a falar aos jornalistas à margem da cerimónia, elogiou ainda no seu discurso o sucesso do “Aldeia Segura, Pessoas Seguras”, o programa no qual foram distribuídos os ‘kits de incêndio’, que incluem as polémicas golas antifumo.

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