O bastonário da Ordem dos Psicólogos (OP), Francisco Miranda Rodrigues, alertou esta quarta-feira que a pandemia de covid-19 agravou as desigualdades no acesso à saúde mental.

Em declarações à lusa, no âmbito da celebração do Dia Mundial da Saúde. o bastonário da OP afirmou que o impacto da pandemia a nível mental foi generalizado, no entanto, "não foi igual para todos, porque afetou pessoas que estão numa situação de maior vulnerabilidade, logo assistiu-se a um aumento das desigualdades por dia".

Quando ficamos afetados ao nível dos nossos recursos financeiros, isso tem um impacto na nossa saúde psicológica. As pessoas que sofrem desse impacto acabam por mais provavelmente vir a ter alguns problemas psicológicos", afirmou.

Quando as pessoas necessitam de recorrer a ajuda externa, o bastonário da OP refere que é possível detetar fatores de desigualdade, desde logo, nos recursos financeiros disponíveis, no conhecimento que têm ou não sobre a saúde mental que permita compreender o que estão a sentir e, em seguida, na insuficiência de serviços de apoio disponíveis. 

O acesso aos serviços nesta área continua muitíssimo reduzido e continua sem ter uma solução. Nos centros de saúde está o calcanhar de Aquiles, no que diz respeito ao número de psicólogos que é muito reduzido. E não é por não existirem em Portugal profissionais qualificados, o país tem 24 mil psicólogos, apenas mil estão no Serviço Nacional de Saúde (SNS), e cerca de 250 estão nos centros de saúde. Portanto temos aqui um problema que continua a existir e cria desigualdades no acesso nesta área", frisou o responsável. 

"Quando falamos em centros de saúde, não existe um psicólogo por concelho", acrescentou.

Quanto ao estigma que envolve a saúde mental o bastonário da OP refere que é combatível através da disponibilização de acessos, dando como exemplo, a linha de aconselhamento psicológico do SNS 24 que recebeu cerca de 75 mil chamadas, desde que foi criada, em 2020. 

Por um lado, prosseguiu, a pandemia mostrou um acentuar das desigualdades ao nível do acesso à saúde mental, e por outro lado, alertou para a baixa literacia da população sobre a área. 

"Continuamos a fazer pouco em matéria de prevenção. O próprio Plano de Recuperação e Resiliência, naquilo que foi público, é curto nessa matéria. Vai pôr recursos para tentar finalmente concluir o Programa Nacional de Saúde Mental, mas este é um programa que tem anos de atraso e, portanto, está a tentar suprir coisas básicas e absolutamente necessárias, mas não vai para além disso", concluiu. 

/ RL